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A melhor Copa? Talvez não. Mas será, sim, a mais difícil…

O sorteio pavimentou o caminho das seleções rumo ao título – e as 32 equipes já se preparam para a Copa mais disputada, exaustiva e imprevisível da história

Por Giancarlo Lepiani, da Costa do Sauípe 7 dez 2013, 09h53

Muitas delegações presentes ao sorteio dispensaram a chance de aproveitar o sol do litoral norte baiano neste sábado e foram direto para o aeroporto de Salvador, de onde partirão para conhecer suas sedes no país e começar a definir seus itinerários para 2014

Ainda no início do sorteio dos grupos da Copa de 2014, na tarde de sexta-feira, na Costa do Sauípe, a presidente Dilma Rousseff e o presidente da Fifa, Joseph Blatter, foram ao palco para prometer um Mundial incomparável. “A Copa das Copas”, garantiu Dilma. “Será a melhor Copa do Mundo de todos os tempos”, concordou Blatter. Ainda é cedo para dizer. Com estádios entregues em cima da hora, projetos de mobilidade muito menos ambiciosos do que se esperava, deslocamentos difíceis e caros e o temor sobre protestos que podem descambar para a violência, a experiência do torcedor que vier ao país para acompanhar o torneio pode ser marcada por alguns apertos e dores de cabeça. A avaliação final do evento como um todo, portanto, só poderá ser feita a partir de 13 de julho de 2014, após a grande decisão no Maracanã. Entre o pontapé inicial e o apito final de cada uma das 64 partidas, porém, a expectativa das autoridades é plenamente justificável. Depois da formação das chaves na festa realizada na Bahia, foi reforçada a expectativa geral de uma competição absolutamente espetacular – a Copa mais disputada, exaustiva e imprevisível de todas. Talvez não a melhor, por vários motivos, mas muito provavelmente a mais difícil.

“Difícil”, aliás, foi uma das palavras mais ditas na véspera do sorteio pelos oito ex-craques encarregados de escolher as bolinhas e montar os grupos. Sentados lado a lado, as lendas que representavam as oito seleções que já foram campeãs mundiais traçaram um cenário de tirar o sono de qualquer técnico. E eles têm currículo de sobra para fazer essa análise: somados, levam nas costas 25 participações em Mundiais. Ainda assim, se mostravam espantados com as perspectivas para o ano que vem. Zidane, Cannavaro, Matthäus e os outros ex-craques lembraram que o alto nível das seleções (com todas as campeãs presentes mais equipes de alto nível como Holanda, Portugal e Colômbia), a presença de craques no auge de suas carreiras (principalmente Messi e Cristiano Ronaldo) e as condições bastante difíceis para as 32 delegações (como as variações climáticas entre as sedes e principalmente as longas distâncias entre elas) eram a fórmula ideal para uma competição duríssima. “Será uma Copa com nível técnico altíssimo”, disse outro ex-craque, Carlos Alberto Torres, o capitão do tri, que também estava na Costa do Sauípe. “Muitos fatores podem influenciar numa Copa. Sempre algo inesperado acontece”, disse outro ex-craque que teve o privilégio de levantar a taça, Matthäus, campeão pela Alemanha na Itália-1990.

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O Mundial italiano, aliás, foi um bom exemplo de como não existe fórmula para fazer a “melhor Copa”. O torneio aconteceu numa das grandes pátrias da bola, com viagens curtas, palcos espetaculares (em sua maioria, estádios históricos e tradicionais reformados para o evento), grandes seleções e muitos jogadores de altíssimo nível. Maradona e Matthäus brilharam, mas o futebol exibido pelas equipes foi pobre e monótono em quase toda a competição – muitos empates, poucos gols e uma final decidida por um pênalti. No caso da Copa do ano que vem, a cerimônia de sexta esboça um torneio equilibrado, com partidas imperdíveis desde a primeira rodada e desdobramentos impossíveis de se prever. Algumas simulações apontam para uma série inédita de clássicos no caminho do Brasil até o título: Espanha ou Holanda nas oitavas, Itália, Uruguai ou Inglaterra nas quartas, Alemanha ou França na semi e a Argentina na grande final. Antes mesmo dos jogos eliminatórios, o torcedor poderá ver, num intervalo de poucos dias, os duelos entre Espanha e Holanda (que estreiam fazendo uma repetição da decisão do último Mundial), Inglaterra e Itália e Alemanha e Portugal. Com um contexto tão complicado para as equipes que sonham com o título, os 187 dias que faltam para a abertura serão de trabalho intenso para atletas e treinadores – tanto que, para muitos, a preparação começou já neste sábado. Muitas delegações presentes ao sorteio dispensaram a chance de aproveitar o sol do litoral norte baiano neste sábado e foram direto para o aeroporto de Salvador, de onde partirão para conhecer suas sedes no país e começar a definir seus itinerários para 2014.

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