Clique e assine com até 92% de desconto

A Espanha no divã

Os últimos resultados marcantes da Roja foram a derrota para o Brasil na Copa das Confederações e o vexame de ontem. Será que eles perderam a ambição?

Por Mauricio Barros 14 jun 2014, 09h38

“Na quarta-feira, no Maracanã, veremos a resposta que os atuais campeões darão”

Times de futebol têm prazo de validade? Começo, meio e fim? Fiquei pensando nisso depois da humilhação que sofreu a Espanha ontem diante da Holanda, 5 a 1 de virada na partida de abertura do Grupo B da Copa do Mundo. A Roja, outrora Fúria, dirigida por Vicente del Bosque, fez no plano das seleções o que o Barcelona de Pep Guardiola, sua base e modelo, empreendeu no universo dos clubes: uma revolução no jeito de jogar baseada na posse de bola, no passe preciso, na ocupação plena do território, na movimentação frenética e inteligente, no gol de pelada, quase entrando com bola e tudo. Ganhou duas Eurocopas e sua primeira Copa do Mundo com a mesma base de jogadores.

Leia também:

Holanda vence a Espanha com goleada humilhante

Van Persie diz que Holanda poderia ter feito ‘7 ou 8 gols’

‘Todos somos culpados’, afirma Del Bosque após escândalo

Continua após a publicidade

Pois, se tirarmos as Eliminatórias, os dois últimos resultados marcantes da Espanha foram a derrota categórica para o Brasil por 3 a 0 na final da Copa das Confederações e o vexame de ontem. Casillas, Xabi Alonso, Xavi e Iniesta estão na faixa dos 30 anos, mas ainda com lenha para queimar. Piqué tem só 27 anos, Sergio Ramos, 28. Como se deixam derrotar assim?

Estamos falando de gente, e qualquer grupo de humanos que convive de maneira mais intensa sofre desgastes. Às vezes, a gente não aguenta a si próprio – e os psicanalistas ganham dinheiro com isso. O que dizer de estrelas milionárias, vaidosas, e que já faturaram tudo o que era possível? Perderam a ambição? É uma hipótese. Outra tentativa de explicação seria uma eventual soberba. Acho improvável, já que esses jogadores nunca foram de tripudiar ou menosprezar adversários. Podemos também argumentar que tanto Brasil quanto Holanda jogaram demais e ganhariam de qualquer um.

Bola da VEJA: como VEJA vai mostrar a Copa do Mundo

Veremos a resposta que os atuais campeões mundiais darão a essas questões na próxima quarta-feira, no Maracanã, quando fazem a primeira decisão deste Mundial contra o Chile, que somou 3 pontos diante da Austrália. Não podem nem pensar em empatar, partirão para cima (mas o time de Jorge Sampaoli é mortal nos contra-ataques). Tem tudo para ser um jogaço. Se serve de alento aos torcedores espanhóis, a vitoriosa campanha da última Copa também começou com derrota. Mas foi um magro 1 a 0 para a Suíça. Uma trombadinha de bicicleta, se comparada ao atropelamento de caminhão de ontem.

Também ontem, os próximos rivais do Brasil se enfrentaram em Natal. Vitória magra dos mexicanos, mas poderia ter sido mais tranquila se a arbitragem não tivesse anulado dois gols legais. Pelo que vi, nenhum dos times tem condições de dar metade do trabalho que a Croácia deu na estreia. Na terça, a seleção encara o México em Fortaleza. Deve entrar mais tranquila, mas precisará de mais consistência e, para isso, será fundamental recuperar seus laterais, o principal ponto negativo do primeiro jogo.

FAÇA O DOWNLOAD DAS EDIÇÕES DIÁRIAS​ – Até 14 de julho, na segunda-feira seguinte à final, VEJA e PLACAR lançarão edições eletrônicas diárias (serão 34!). Sempre às 7 da manhã, grátis. Para quem já é assinante de VEJA para tablets e iPhone, nada muda. Para os outros, basta baixar o aplicativo de VEJA ou acessar o IBA, a banca digital da Editora Abril.

Continua após a publicidade
Publicidade