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‘A derrota me deixou mais profissional’, diz Júnior Cigano

Ex-campeão dos pesados garante que evoluiu nos treinos depois de perder para Velasquez, em dezembro de 2012. Os dois se reencontram ainda em 2013

Por Davi Correia, de Fortaleza 11 jun 2013, 17h18

“Aprendi muito com tudo que aconteceu depois daquela luta. O Cain Velasquez é um wrestler admirável, mas MMA é diferente, não é só wrestling. Na revanche, pretendo não cometer os mesmos erros da luta anterior”

Depois de passar cinco rounds apanhando do americano Cain Velasquez, em dezembro de 2012, e perder o cinturão dos pesados, o brasileiro Júnior Cigano disse, ainda no octógono que treinaria ainda mais forte para conseguir o título de volta. O primeiro passo para realizar esta façanha aconteceu em maio, quando ele nocauteou o neozelandês Mark Hunt no terceiro round, ao acertar um belo chute rodado na cabeça do adversário. Ainda de férias, Cigano conversou com a reportagem de VEJA em Fortaleza, antes de ser o comentarista da TV Globo na luta entre Rodrigo Minotauro e Fabrício Werdum (o gaúcho conseguiu a vitória com uma finalização no primeiro round) e explicou que a derrota para Velasquez o fez priorizar a organização nos seus treinamentos. “A derrota me deixou mais profissional. Também fiquei um pouco mais ousado, pois aprendi que a gente precisa usar todas as armas para vencer.” Depois da vitória do brasileiro, Dana White e os chefões do UFC confirmaram que Cigano deve ser o próximo rival de Cain Velasquez, no segundo semestre de 2013.

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Como foi voltar a vencer no UFC? Foi um momento muito importante para a minha carreira. Não estava nervoso durante os treinos, mas fiquei um pouco quando cheguei na arena. Estava vindo de derrota e enfrentaria um adversário perigoso. A derrota me deixou mais profissional. Também fiquei um pouco mais ousado, pois aprendi que a gente precisa usar todas as armas para vencer.

Quais são estas outras armas? Minha primeira opção sempre será o boxe, que é a especialidade em que eu me sinto mais confiante. Ainda não estou confiante o suficiente para me arriscar no chão, mas estou treinando muito jiu-jitsu e sei que a confiança vai chegar. Na última luta contra o Cain Velasquez, a luta em que perdi o cinturão, defendi todas as quedas no primeiro round. Eu poderia ter mantido ele no chão e tentar a finalização.

Você vinha treinando o chute que acertou para nocautear Mark Hunt? Treinei vários estilos de chutes, não só aquele. Gosto de chutar, mas as mãos sempre funcionaram melhor. Senti que ele estava lento, aí fintei o golpe e ele ficou parado esperando o chute. Gostei de ter me testado contra um ex-campeão do K1, torneio que explora bastante o muay thai.

Qual será o próximo passo? Lutar pelo título. Pelo jeito que foi minha derrota de cinturão, acho que mereço outra chance de ser campeão. Aprendi muito com tudo que aconteceu depois daquela luta. O Cain Velasquez é um wrestler admirável, mas MMA é diferente, não é só wrestling. Na revanche, pretendo não cometer os mesmos erros da luta anterior.

Você tem melhorado bastante seu inglês e se aperfeiçoando nos comentários. Já está pensando numa carreira na TV quando se aposentar? Minha intenção é sempre melhorar como pessoa e lutador. Não estudo inglês, mas leio e escuto muita música. Tenho facilidade com a gramática, consigo aprender muito rápido. Me sinto bem quando as pessoas entendem o que eu falei. Sobre os comentários, tenho me divertido bastante. Eu uso o lado lutador para contar o que estou vendo, tento expressar minha opinião de forma clara.

O UFC chegou ao Nordeste. Você já pensa em lutar em Salvador? Eu quero lutar em qualquer lugar, mas é claro que na Arena Fonte Nova seria especial, com os 50.000 lugares ocupados. Salvador já demonstrou que tem interesse em realizar uma noite de lutas por lá, mas vale lembrar que não é tão simples assim fazer um evento desse porte.

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