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A Copa do Mundo é sempre mais

Mais que a ocasião de gala da Fifa, mais que política e economia, a Copa deixa de ser indecifrável graças aos craques - mas ainda é maior que ela mesma

Por Sérgio Rodrigues - 12 jun 2014, 07h58

“Há craques que nunca a conquistaram, cabeças de bagre em penca que sim”

Sou velho (disse o velho), velho o bastante para saber que a Copa é mais do que um punhado de jogos entre equipes meio desentrosadas que compensam a falta de conjunto com o desfile de estrelas regiamente pagas e o velho nacionalismo estampado na camisa. Uma Copa é isso, filho, mas é mais.

Mais também do que uma ocasião de gala para a Fifa, transparente feito uma caixa preta, reforçar seu domínio sobre os países que apreciam bater uma bolinha. A lógica é mais que política, mais que econômica. Pretexto para grandes empresas ganharem dinheiro? A Copa é, mas não só.

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Se tudo o que você vê nela são as tentativas que o país-sede da vez faz de se vender como nação organizada, cosmopolita, maneira – bom, sou suficientemente velho (disse o velho) para lhe garantir, mesmo com minha catarata, que você tem visão curta, filho.

Uma Copa é maior do que o país que a hospeda. O que terá feito a boa Suíça dos relógios e chocolates para que merecesse ser palco do Milagre de Berna, quando em 1954 a Alemanha então Ocidental derrotou a favorita Hungria do gênio Puskas de virada, numa das grandes injustiças da história?

Sim, uma Copa sempre inclui uma injustiça ou outra, mas isso ainda não diz tudo. É bagunça, filho. Há craques que nunca a conquistaram, cabeças de bagre em penca que sim, isso para não falar das promessas fulgurantes que negaram fogo e até de um título decidido por bola que não cruzou a linha. Descalabro.

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Mas isso ainda é pouco, porque a Copa é também o habitat de Pelé, Garrincha, Maradona, Romário, Zidane. Nessas horas ela deixa de ser indecifrável para ficar linda, dócil, um amor. E isso também não é tudo.

Nada jamais será tudo, filho – aí é que está. Isso eu só descobri depois de velho (disse o velho), mas a Copa do Mundo é maior do que ela mesma. Daí essa eletricidade, esse frio na barriga que antecede a estreia, está sentindo? Não faz o menor sentido. Faz todo o sentido do mundo.

Decoração de rua no bairro da Federação, em Salvador
Decoração de rua no bairro da Federação, em Salvador VEJA

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