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A brasileira Isadora Williams sonha alto na patinação artística

Pioneira do país na modalidade, atleta nascida nos EUA vai para sua segunda olimpíada com a meta de disputar medalha

Uma das modalidades mais tradicionais do programa esportivo das Olimpíadas de Inverno, a patinação artística sempre foi apenas alvo de admiração do torcedor brasileiro até os Jogos de Sochi-2014, quando uma adolescente de 17 anos colocou o país na rota olímpica deste esporte. É verdade que Isadora Williams, filha de mãe brasileira e pai americano, foi uma coadjuvante na Rússia, terminando na 30ª e última posição, tendo disputado apenas o programa curto, qualificatório para a final. Mas quatro anos depois ela chega para a Olimpíada de PyeongChang, na Coreia do Sul, com planos mais ousados.

“Não faço nem gosto muito de projeções. Vou acreditar em mim, nos meus treinos e no que sou capaz de fazer. Quero muito disputar o programa longo e somente as 24 melhores do programa curto avançam para o segundo dia. Quero estar nesse grupo”, afirmou a patinadora.

Passar para o segundo dia de disputas seria mais do que uma classificação inédita, seria a chance de brigar por uma medalha olímpica, embora seja quase impossível sonhar com um pódio histórico. Segundo levantamento da empresa especializada em estatística esportiva Infostrada, a favorita ao ouro na prova é a russa Evgenia Medvedeva, de 18 anos, que na Coreia do Sul competirá sob bandeira neutra, pela punição do COI à Rússia pelo esquema de doping do país.

Isadora Williams, que nasceu na cidade americana de Marietta e hoje vive em Little Falls, em Nova Jersey, está focada. “Sou a minha maior adversária, tenho uma luta interna enorme comigo mesma. Eu me cobro o tempo todo. Estamos sob pressão de representar o nosso país da melhor maneira possível. Quero fazer duas boas exibições, quero que o Brasil me assista nos jogos e que as pessoas torçam e tenham orgulho de mim.”

A modalidade

A primeira aparição da patinação artística na história olímpica ocorreu numa olimpíada de verão! Antes da criação dos Jogos de Inverno, a modalidade integrou o programa esportivo em Londres-1908 e em Antuérpia-1920, tendo alguns dos mesmos eventos que são disputados até hoje, como as provas individuais masculina e feminina (onde compete Isadora Williams) e disputa de duplas.

Com a criação dos Jogos de Inverno, a patinação artística já foi incluída na primeira edição, na cidade de Chamonix (França), em 1924.

É um esporte com fortes ligações com as artes, trazendo elementos da dança, teatro e música nas competições. Não existe uma pontuação para a trilha sonora escolhida pelos patinadores, mas o impacto emocional que ela causa nas apresentações costuma render pontos importantes.

Existem dois programas: o curto, que não pode ultrapassar  2min50, enquanto o longo pode ter 4min de duração no feminino e 4min30 no masculino.

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A preparação

Isadora Williams acredita que ter a experiência de uma campanha olímpica irá ajudá-la muito em sua performance em PyeongChang. Mas gostaria de ter participado de mais competições na fase de preparação. “Quanto mais competir e tiver bons resultados, minha posição no ranking mundial sobe. Isto é fundamental para participar de um Mundial e de Jogos Olímpicos, porque o atleta já possui um histórico e os juízes já conhecem a sua história.”

A consequência da falta de maior presença em competições internacionais acaba sendo uma avaliação excessivamente rigorosa dos árbitros. “Consegui os índices para o Mundial de 2017 e achei que merecia nota maior e também ficar entre as 24 que faziam o programa longo. Corrigi meus erros e foquei  ainda mais nos treinos”. No Mundial do ano passado, ela terminou na 30ª posição e não alcançou o programa longo.

Em compensação, Isadora assegurou em setembro sua vaga na Olimpíada deste ano, ao terminar na quinta colocação no Troféu Nebelhorn, na Alemanha. Foi a primeira atleta do Brasil classificada para os Jogos de 2018.

O calendário

A prova da patinação artística individual feminina, com a presença de Isadora Williams, acontecerá no dia 21 de fevereiro, a partir das 22h (horário de Brasília), no Gangneung Ice Arena, com a disputa do programa curto. Caso esteja entre as 24 melhores colocadas, Isadora entrará na disputa de medalhas, participando do programa livre (longo), no mesmo local, no dia 23, também com início às 22h.