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À altura do vôlei brasileiro, jogadora paulista mira a Olimpíada

Destaque do Barueri, time treinado por José Roberto Guimarães, Tainara Santos se empenha para estar na seleção

Por Danilo Monteiro Atualizado em 3 jan 2020, 07h00 - Publicado em 3 jan 2020, 06h00
COM A BOLA TODA - A jogadora: “Aprendi cedo a assumir a responsabilidade”
COM A BOLA TODA - A jogadora: “Aprendi cedo a assumir a responsabilidade” ./.

Há, na expressão serena de Tainara Santos, algo que vai além da tranquilidade — uma indisfarçável timidez. Tal traço de personalidade chama atenção por duas razões. Em primeiro lugar, porque destoa da estatura física da jovem: ela mede 1,87 metro e ostenta um porte visivelmente atlético. O segundo motivo: nascida em Jandira, no interior de São Paulo, Tainara é uma das melhores jogadoras de vôlei reveladas no país nos últimos anos — e, portanto, não seria estranho se já tivesse se acostumado ao frenesi que cerca os ídolos do esporte, inclusive os novatos.

Mas atenção: tudo o que se falou até aqui sobre a ponteira — destaque da equipe do Barueri Volleyball Club, time idealizado e treinado por ninguém menos do que José Roberto Guimarães, tricampeão olímpico e desde 2003 técnico da seleção feminina — diz respeito a sua postura fora de quadra. Dentro dela, o acanhamento de Tainara desaparece. “Quando estou atuando, deixo a ‘molecona’ de lado. Nos jogos, sou uma mulher madura. Aprendi desde cedo a assumir minhas responsabilidades”, afirma a atleta. Seu ótimo desempenho já lhe rendeu propostas de clubes do exterior, no entanto Tainara garante que, por ora, prefere ficar no Brasil. “Acho que não é o momento de sair. Ainda preciso aprender muita coisa, e aqui no Barueri eu me sinto em casa”, comenta a jovem, que, é claro, conta com o apoio incondicional de José Roberto.

O treinador a conheceu três anos atrás em Barueri mesmo, onde montou um centro de treinamento esportivo no início da década de 90. “Ele viu potencial em mim. Prezo muito a nossa relação”, acentua Tainara. Quando decidiu estruturar uma nova equipe profissional, que levaria o nome daquela cidade paulista, José Roberto não teve dúvida: quis que a adolescente estivesse no seu time. Não se imagine, contudo, que, no dia a dia, o técnico alivie o lado dela. “Na quadra, finjo que não o conheço, porque ele é muito diferente, é estressado”, relata a atleta. Ela só viu seu espaço crescer dentro do clube, que usa as cores e o escudo do São Paulo em sua camisa.

Tainara começou a jogar vôlei aos 11 anos. “Fui aprovada só porque era alta. Não sabia dar uma manchete”, admite. Ela foi levada de Jandira à vizinha Barueri por um professor do colégio — na sua escola, não se praticava o esporte que a arrebataria. O resto já é história. Em 2019, Tainara teve sua primeira chance na seleção adulta, convocada por José Roberto para disputar a Liga das Nações. Essa experiência de representar o Brasil tem feito Tainara se imaginar nos Jogos de Tóquio, em julho próximo. “Só de saber como é um ambiente olímpico já seria incrível”, sonha a jovem.

Publicado em VEJA de 8 de janeiro de 2020, edição nº 2668

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