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Cultura

Backstreet Boys: “Meninos” festejam 25 anos de carreira com single e Vegas

O grupo deixou para trás a birra com o rótulo e aconselha as novas boybands: “Preparem-se para a montanha-russa”

por Mariane Morisawa, de Los Angeles Atualizado em 6 ago 2018, 19h13 - Publicado em
4 ago 2018
08h48

Uma boyband não costuma durar muito. Mas os Backstreet Boys, que no começo da carreira rejeitaram o rótulo e preferiram se definir como um grupo vocal, estão na estrada há 25 anos.

E deixam para trás diversos grupos contemporâneos com quem rivalizavam pela atenção dos adolescentes dos anos 1990. A década, afinal, foi fértil na formação de boybands. Além dos Backstreet Boys, surgiram na época *NSYNC, Boyzone, 98 Degrees, Take That, Westlife e Five, entre outras.

Nenhuma durou tanto, nem o *NSYNC, com quem os Backstreet Boys supostamente tinham uma briga. O grupo de Justin Timberlake, também formado pelo empresário Lou Pearlman em Orlando, Flórida, se separou em 2002.

E os Backstreet seguem adiante, lotando casas em Las Vegas. Para comemorar as bodas de prata, os meninos lançaram um single, Don’t Go Breaking My Heart, e preparam um novo álbum, o primeiro em cinco anos.

E continuam acrescentando datas à sua bem-sucedida residência em Las Vegas, Backstreet Boys: Larger Than Life. A princípio, a residência deveria para ter nove shows. Mas o sucesso foi tanto – o grupo quebrou o recorde de média de audiência por espetáculo – que novas datas foram sendo adicionadas. Neste momento, a banda faz mais uma residência, que começou dia 25 de julho e segue até meados de agosto, com mais nove apresentações em Vegas, para onde o grupo retorna em outubro para outras doze. Já são cerca de 80 até agora.

Mas, por mais bem-sucedida e longeva, a história dos Backstreet Boys não se deu sem percalços. O grupo teve um hiato de dois anos antes da volta, em 2005, com o álbum Never Gone, quando Nick Carter decidiu seguir carreira-solo, e a relação entre os cinco estava desgastada. A reconciliação começou quando AJ McLean foi ao programa de Oprah Winfrey para falar de seu vício em álcool e drogas ilícitas, e recebeu o apoio dos companheiros. Em 2006, Kevin Richardson deixou o quinteto para fazer outras coisas.

Os Backstreet Boys chegaram a lançar dois álbuns com quatro integrantes apenas (Unbreakable e This Is Us), até o retorno de Richadson em 2012. No ano seguinte, comemoraram vinte anos de estrada com o álbum independente In a World Like This. Também tiveram uma briga com o seu ex-empresário Lou Pearlman que chegou aos tribunais.

As desavenças, no entanto, agora são passado, e o clima do grupo é festivo. Num bate-papo com o site de VEJA, em Los Angeles, AJ McLean, Howie D., Nick Carter, Kevin Richardson e Brian Littrell contam que vão se apresentar no Brasil em breve e falam do que mais gostam no país. A conversa foi feita antes de a Procuradoria de Los Angeles anunciar que investiga uma denúncia de assédio contra Carter — tema que, por isso, não entrou na conversa.

Qual a inspiração deste novo single?

Howie D. – Eu!

Nick Carter – Howie nos inspirou (risos).

Kevin – Os autores da música (Stuart Crichton, Jamie Hartman e Stephen Wrabel) viram nosso show em Vegas e se inspiraram na apresentação para criar. É o Backstreet Boys 2018. A música somos nós, sem tentarmos ser algo que não somos. É autêntica.

Nick Carter – É uma grande música, amamos ao ouvir. Era do que precisávamos depois de dois anos preparando um disco. Havia ótimas harmonias para trabalharmos no coro, a letra era boa, o som era animado, com uma vibe dos anos 1980. Kevin amou por ter os sintetizadores. E soa como Backstreet Boys 2018. Achamos que era o que nossos fãs queriam.

A boyband Backstreet Boys – 1995
A boyband Backstreet Boys – 1995 Tim Roney/Getty Images

Como manter a autenticidade depois de tantos anos?

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Howie – Sempre fomos conhecidos pelo que somos e pela nossa marca: a nossa harmonia musical. Tivemos sorte de ter trabalhado com alguns compositores espetaculares, e nós mesmos, conforme crescemos como artistas, começamos a escrever para achar grandes melodias e boas letras. A música deve emocionar. Acredito que tenhamos sido capazes de emocionar a nós mesmos e a nossos fãs por 25 anos.  

A boyband Backstreet Boys se apresenta em Quebec, no Canadá – 09/07/2017
A boyband Backstreet Boys se apresenta em Quebec, no Canadá – 09/07/2017 Ollie Millington/Redferns/Getty Images

Como está sendo a residência em Las Vegas?

AJ McLean – Incrível. Inicialmente, a gente ia fazer nove shows, meio como teste, acho. Era o que o Planet Hollywood e o Caesar’s queriam. Aqueles nove shows esgotaram. Adicionamos nove. Eles também esgotaram. Fomos adicionando mais e mais datas. Fizemos 26 e depois mais 52. Para mim, Vegas tem sido o catalizador para o que está acontecendo hoje. Fizemos muitas coisas diferentes nos últimos anos, filmes, comerciais, televisão, sempre mantendo nossa marca viva. Mas Vegas realmente deu um up.

Nick Carter – É um lembrete.

AJ McLean – Exato. O show leva as pessoas a reviver os últimos 25 anos. São duas horas com todos os hits, algumas das nossas músicas favoritas. Vamos acrescentar o novo single nessa volta, agora. Vegas é um centro para fãs do mundo todo. Nick diz que Vegas é o maior palco do mundo hoje. Ter uma residência em Vegas agora é o objetivo.

Brian Littrell – Espero que continuemos lá por um bom tempo. Mas temos uma nova turnê vindo aí, no final do ano. Vamos para a Europa no ano que vem, e América do Sul também e para o Brasil! Temos muitas coisas antes do álbum no outono. É só o começo.

A boyband Backstreet Boys se apresenta na cidade de Wantagh, localizada em Nova York – 16/06/2018
A boyband Backstreet Boys se apresenta na cidade de Wantagh, localizada em Nova York – 16/06/2018 Nicholas Hunt/103.5 KTU/Getty Images

Estão animados de ir ao Brasil?

AJ – Claro!

Kevin – Amamos ir ao Brasil!

Howie D. – Muitas memórias boas de lá.

Brian – Os fãs são tão apaixonados por tantos anos.

Nick – E leais.

Brian – E leais.

Nick – São os mais leais.

Howie D. – E a comida é ótima. Churrasco brasileiro! Caipirinha!

AJ – A comida é ótima.

Nick – Kevin gosta das caipirinhas. Ele bebe muitas.

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Backstreet Boys: “Podem nos chamar do que quiserem”

O grupo deixou para trás a birra com o rótulo 'boyband' e aconselha as novas bandas de garotos: “Preparem-se para a montanha-russa”

Vinte e cinco anos atrás, pouca gente acreditaria que os Backstreet Boys estariam na ativa em 2018. Na superfície, eles pareciam com outras tantas boybands – uma definição que eles sempre evitaram, preferindo se alinhar na tradição de grupos vocais como Boyz II Men. Mas AJ McLean, Howie D., Nick Carter, Kevin Richardson e Brian Littrell cantavam, dançavam, eram estilosos e deixavam as meninas loucas. Eram a própria definição de boyband, título, aliás, que eles hoje aceitam melhor.

Na época, as boybands eram um bando de caras bonitos reunidos para ganhar dinheiro. E nunca foi assim para a gente. Sempre nos concentramos na música

Donos de sucessos como Everybody, I Want It That Way e Larger Than Life, eles acabam de lançar um novo single (Don’t Go Breaking My Heart) e fazem uma residência de sucesso em Las Vegas.

O quinteto falou com o site de VEJA sobre o seu legado e os fãs e deu conselho para quem pensa em formar uma boyband.

Nick Carter, Brian Littrell, A.J McLean, Kevin Richardson e Howie Dorough: os integrantes da boyband Backstreet Boys, em foto de 1997
Nick Carter, Brian Littrell, A.J McLean, Kevin Richardson e Howie Dorough: os integrantes da boyband Backstreet Boys, em foto de 1997 Larry Busacca/WireImage/Getty Images

Quando as pessoas falam de vocês, ainda usam o termo boyband. Isso incomoda? Gostariam de ser rotulados de outra forma?

Kevin – Quando nos chamavam de boyband lá atrás, quando éramos mais jovens, insistíamos que éramos um grupo de canto, um conjunto vocal. Agora, podem nos chamar do que quiserem. Só nos chamem!

Nick – Chamem nosso agente! Fazemos shows em aniversários.

Howie D. – Bar mitzvahs.

Kevin – Mas somos um grupo vocal, e acho que todos sabem disso. Conhecem nossas vozes. E nós cinco juntos criamos um único instrumento, e esse é o som dos Backstreet Boys.

Brian – Como Nick sempre diz, agora estamos nos sentimos bem conosco. Temos feito esse trabalho por um bom tempo. Tem muita gente negativa, muita gente que gosta de provocar, mas no fim tudo se resume ao que queremos oferecer. Trabalhamos duro. Temos uma agenda difícil. Queremos o melhor para nós mesmos e para nossas famílias e para nosso futuro, por mais 25 anos, esperamos.

A boyband Backstreet Boys – 1995
A boyband Backstreet Boys – 1995 Mick Hutson/Redferns/Getty Images

Quando se pensa em boyband, ninguém pensa em longevidade. Vocês estão juntos há 25 anos. Achavam que iam tão longe?

AJ – Esperávamos!

Brian – Eu sabia!

Nick – Tínhamos confiança, até certo ponto.

AJ – Eu sabia, 100%.

Nick – Quando começamos, e Kevin é prova disso, as boybands não cantavam como nós. Não faziam o que fazíamos. E essa era a receita, acreditávamos, para sustentar nossa carreira: cantar ao vivo, fazer tudo nós mesmos, compor algumas músicas. Ser o pacote completo. E deixar o trabalho falar por si. Porque na época as boybands eram um bando de caras bonitos reunidos para ganhar dinheiro. E nunca foi assim para a gente. Sempre nos concentramos na música, nos nossos fãs, e em sermos criativos. Somos pessoas criativas.

AJ – Realmente nos esforçamos em não sermos bonitos. Não somos nada bonitos.

Howie D. – Era só um rótulo. Sempre nos desafiamos a escapar disso. Boyband vem de antes da gente, eram os adolescentes galãs, os Cassidys. Quando você saía nas revistas para adolescentes, assumia-se que não ia durar para sempre. E muitas não duraram. Provamos que estamos aqui para uma jornada longa. 

Como veem seu legado? Acha que influenciaram outros grupos?

Nick – De vez em quando nos tocamos disso, quando alguém nos menciona, ou algum artista canta uma das nossas músicas… Coisas assim nos lembram que estamos aqui faz um tempo e temos algum impacto. É bacana sermos respeitados depois desses anos.

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A boyband Backstreet Boys durante premiação da MTV na Holanda – 06/11/1997
A boyband Backstreet Boys durante premiação da MTV na Holanda – 06/11/1997 Fiona Hanson - PA Images/Getty Images

Claro que vocês têm os seus fãs leais, mas como é ter jovens fãs?

Kevin – É bacana ter uma nova geração descobrindo os Backstreet Boys. A gente vê comentários na internet de gente que nunca ouviu falar do grupo, mas que gosta das músicas. Tem muita gente que conhece nossas músicas por causa de seus pais, que foi como eu descobri algumas músicas que ainda ouço.

Brian – Todos temos filhos também. Meu filho tem 15 anos, está dirigindo. Quando tocam Backstreet Boys no rádio, ele pede para aumentar o som, porque estão tocando minha música. Isso faz com que sejamos pais bacanas agora. Isso é legal.

Kevin – Os amigos da minha mulher mandaram vídeos de seus filhos dançando e cantando as nossas músicas.

Que conselhos dariam para um grupo de jovens começando agora?

Howie D. – Não façam isso!

AJ – Fujam! Não. Tentem seguir o seu caminho. Uma das coisas que nós realmente conseguimos fazer nos nossos 25 anos foi seguir nosso curso. Não tentamos ser algo que não somos. Não tentamos nos encaixar no que estava na moda na música. Sempre fizemos o que sabíamos ser os Backstreet Boys. Então: fique no seu caminho próprio, contrate um bom advogado.

Nick – Sempre gosto de dizer que é bom se preparar para a montanha-russa. Se você quer fazer isso e por um bom tempo, vai haver períodos de baixa. E você precisa saber como superá-los.

Brian – Tantas coisas mudam à sua volta quando você está no meio da tormenta. Para nós, o importante somos nós cinco. Tudo mudou na indústria, tem rede social, como era antes e como é agora. Um monte de coisa mudou, mas no fim das contas o importante é que esse grupo, o núcleo, esteja unido. É o que sustenta uma carreira longa.

Nick – Uma outra coisa, porque é algo novo no mundo: redes sociais. Procure aprovação de si mesmo e do seu núcleo, não do exterior.

Howie – No fim, o importante é a música.

Tem alguma boyband de que vocês gostam?

Nick – Gosto muito dos Backstreet Boys!

Kevin – Tem alguns grupos vocais jovens aparecendo, mas não me lembro os nomes.

AJ – BTS.

Howie – BTS.

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Backstreet Boys em números