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Woody Allen nega abuso e critica Mia Farrow; filha rebate

Em carta do jornal "The New York Times", cineasta diz que filha foi manipulada pela mãe. Dylan diz que não se calará

O cineasta Woody Allen negou as acusações de abuso sexual contra sua filha e acusou sua ex-mulher Mia Farrow de estar por trás do caso. Em carta publicada nesta sexta no site do jornal The New York Times, no qual sua filha Dylan Farrow havia detalhado, no último sábado, suas acusações de abuso sexual, o diretor garantiu: “É claro que não abusei de Dylan”.

No texto, Allen diz que, quando Mia Farrow o acusou de molestar a filha de 7 anos no sótão da casa dela em Connecticut, em 1992, achou a ideia tão ridícula que sequer contratou um advogado para se defender. “Foi meu advogado do show business que me disse que ela estava fazendo uma acusação à polícia e que eu precisaria de um criminalista de defesa”, diz. O cineasta afirma que, aos 56 anos, nunca havia sido acusado de abuso de menores (nem seria depois) e que, em 12 anos de relacionamento com Mia Farrow, a atriz jamais havia questionado a sua conduta.

Allen diz ainda que, quando Mia levou Dylan ao médico para ser examinada, a menina negou o abuso. Segundo o diretor, a atriz então levou a filha para tomar um sorvete, na volta do qual ela teria mudado a sua versão da história. Abriu-se então uma investigação policial. Segundo a carta, Allen submeteu-se a um detector de mentiras e passou no teste, mas Mia teria se recusado a fazê-lo.

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A polícia, lembra o cineasta na carta, pediu ajuda a médicos e psicólogos do Hospital Yale-New Haven, que não encontraram evidências que confirmassem o abuso. Allen transcreve trechos do laudo emitido pela entidade: “É nossa opinião de especialistas que Dylan não foi abusada sexualmente pelo Sr. Allen. Além disso, acreditamos que as declarações de Dylan em vídeo e suas declarações para nós durante a nossa avaliação não se referem a fatos reais que ocorreram com ela em 4 de agosto de 1992”.

O cineasta reconhece que seu relacionamento com a filha adotiva de Mia Farrow, Soon-Yi Previn, decepcionou muita gente, mas afirma que os dois estão casados há 16 anos e têm duas filhas adotivas, como a dizer que a relação é séria e não merece dúvidas. Menciona também o fato de que Ronan Farrow poderia ser filho de Frank Sinatra, e não seu. “Admito que se parece com Frank, com seus olhos azuis e expressões faciais, e, se isso for verdade, o que quer dizer? Que durante o julgamento pela custódia das crianças Mia mentiu sob juramento e falsamente apresentou Ronan como nosso filho?”, questionou. “E, mesmo que não seja filho de Frank, a possibilidade de que poderia ser, como ela mesma admitiu, só mostra que ela tinha uma relação íntima com ele enquanto estávamos juntos. Sem mencionar todo o dinheiro que paguei durante todos esses anos de pensão. Estive sustentando o filho de Frank?”, continuou.

No fim do texto, ele diz: “Eu a amava (Dylan) e espero que um dia ela entenda que teve um pai amoroso e que foi explorada por uma mãe mais interessada em sua própria raiva purulenta do que no bem-estar de sua filha”. E termina dizendo que a carta é “sua última palavra” sobre o assunto.

Resposta – Ao tomar conhecimento da carta, Dylan Farrow afirmou que nada do que seu pai diga a fará se calar. “Mais uma vez, Woody Allen ataca a mim e a minha família para me tirar credibilidade e me calar. Mas nada do que ele disser ou escrever pode mudar a verdade”, disse Dylan, atualmente com 28 anos, em comunicado.

Nesta semana, outro filho adotivo de Woody Allen e Mia Farrow, Moses, saiu em defesa do diretor, dizendo que a mãe promoveu uma “lavagem cerebral” na família.

(Com agências France-Presse e EFE)