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Wes Anderson usa cães para falar de humanos em ‘Isle of Dogs’

O diretor americano abriu o 68º Festival de Berlim com uma animação em stop motion em que cachorros são banidos

Wes Anderson faz filmes que são ideais para abrir um festival de cinema: visualmente instigantes, divertidos, para cima. Não por acaso, é a segunda vez que inaugura o Festival de Berlim em cinco anos, com a animação Isle of Dogs (“Ilha dos cães”, em tradução livre). Em 2014, ele deu o pontapé inicial do evento com O Grande Hotel Budapeste. O resultado foi um sorriso no rosto na maioria dos jornalistas presentes à sessão de imprensa no fim da manhã desta quinta-feira.

Como O Fantástico Sr. Raposo, Isle of Dogs também é uma animação em stop motion, aquele gênero em que a ação é feita pelos movimentos mínimos de bonequinhos, com o mesmo rigor estético de todos os filmes do americano, desta vez inspirado no cinema dos japoneses Akira Kurosawa e Hayao Miyazaki. “Tentamos usar o mínimo possível de efeitos digitais”, explicou Anderson na entrevista coletiva que se seguiu à exibição.

O filme se passa num Japão do futuro. O cineasta tentou explicar que sua ideia era que parecesse uma produção rodada nos anos 1960 sobre um futuro distante, mas que já é passado para nós.

No filme, o Prefeito Kobayashi (Kunichi Nomura) decide que os cães devem ser banidos da cidade de Megasaki para uma ilha cheia de lixo por estarem carregarem um vírus que representa um risco para a humanidade. Uma das matilhas é formada apenas por cães alfa: Rex (Edward Norton), Boss (Bill Murray), King (Bob Balaban), Duke (Jeff Goldblum) e Chief (Bryan Cranston).

Eles funcionam de maneira democrática, votando sempre para tomar suas decisões. Um dia, um pequeno avião cai em cima do lixo. É Atari (Koyu Rankin), um menino de 12 anos, sobrinho do prefeito, que está em busca de seu cachorro, Spots (Liev Schreiber).

Sem dúvida, Isle of Dogs é o filme mais político de Wes Anderson. Não precisa muito para fazer um paralelo entre os cachorros, ex-melhores amigos do homem, e os imigrantes e refugiados numa época em que se fala em banimento e em construção de muros.

Mas o diretor evitou admitir. “No começo, quase cinco anos atrás, apenas achamos que era preciso inventar a política dessa cidade, já que se trata de um lugar fictício, uma fantasia”, disse ele, que escreveu em parceria com Roman Coppola, Jason Schwartzman e Kunichi Nomura. “Mas o mundo começou a mudar e fazia sentido na história. Acho que talvez tenhamos incluindo pequenas coisas da realidade, embora não seja a realidade do Japão.”