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Viciado em barraco, ‘Mulheres Ricas’ perde apelo em 2013

A segunda temporada do reality show da Band chega ao fim sem chegar nem perto da relevância da estreia e, pior, com show de música sertaneja de Aeileen

Mulheres Ricas 2 chega ao fim nesta segunda-feira como começou: sem chegar nem perto do falatório causado pela primeira temporada, apesar das tentativas da direção de reeditar a fórmula que deu tão certo no ano passado. Desta vez, a aposta nos barracos entre as participantes, fórmula retomada no último minuto de gravação na tentativa de apimentar o programa, só fez enfraquecer o reality show, que soou ainda mais artificial que em 2012. Mesmo Val, a pimenta resgatada para borbulhar a champanhe da atração, não teve o mesmo impacto: soou como piada repetida. Por esse prisma, o fim de Mulheres Ricas – será, aliás, que a Band arrisca mais uma temporada? – é quase melancólico. Pior ainda: é de dar dor nos ouvidos, já que vem embalado pelo show de desafinação da sertaneja Aeileen, que sobe ao palco, enfim, no episódio de despedida do reality.

As gravações do derradeiro capítulo foram feitas em dezembro, no Skyline Hall, a casa de espetáculos da paulista Cozete Gomes, em Alphaville – só para espezinhar, Val faz questão de falar em Santana de Parnaíba, município onde fica o condomínio particular dos endinheirados. A empresária de Aeileen – ao menos no reality – foi a grande vítima da paranaense nesta edição. Val não perdeu uma oportunidade de atazanar Cossete ou Co7, como ela chama a paulista, daí podia se esperar um super embate entre as duas no grand finale do programa, mas foi a carioca Narcisa, rival da perua de Apucarana em 2012, quem foi à forra no último momento do reality, em sua única e ótima virada para cima de Val.

Antes do show de horrores de Aeileen, que na verdade abriu uma apresentação do sertanejo Leonardo, as madames da Band conversaram com jornalistas em uma coletiva para lá de informal. Convidada surpresa do encontro, Val deixou Andrea, a ex do humorista Carlos Alberto de Nóbrega, estarrecida quando entrou na sala e distribuiu “Hello” para todos os lados. A entrevista coletiva foi organizada logo depois de a emissora ter confirmado a convocação de Val Marchiori – para desespero das novas ricas, que tentaram criar um clima de paz e amor para preservar sua imagem no programa.

A entrada triunfal de Val foi só menos chocante do que a de Narcisa, que já chegou aos berros de “Ai, que loucura!” e aproveitou a ocasião para divulgar o livro Giane – Vida, Arte e Luta, a biografia de Reynaldo Gianecchini escrita pelo jornalista Guilherme Fiúza, seu namorado. “Não te trouxe um livro porque não sabia que viria”, disse Narcisa a Val depois de presentear Andrea, Mariana e Cozete com exemplares. É claro que também não faria diferença: no fim do ano passado, ao ser questionada sobre os seus frágeis hábitos literários, Val declarou que estava lendo Dezoito (sic) Tons de Cinza.

Priscila Castilho

Livros na mesa da sala de Val Marchiori. Ela disse que está lendo ‘Dezoito (sic) Tons de Cinza’

“Estava com saudades de você, Narcisa”, disse Val, que levou uma invertida da socialite autointitulada The Face of Rio. “Ai, que falsidade. Quanta mulher falsa junta.” Narcisa também se pronunciou sobre a entrada da arqui-inimiga no programa. “Ela tinha que aparecer para falar mal das pessoas, era o que estava faltando.”

Foi mesmo uma volta triunfante. Mas, antes de Val ressurgir toda brilho e autoconfiança, a sua presença já se fazia sentir no ambiente. A perua desbocada havia sido pauta das colegas Andrea, Cozete e Mariana Mesquita, a ex-modelo casada com o ex-jogador Luizão. “Se fosse uma novela, ela seria uma vilã bem chata”, disse a ex-mulher de Carlos Alberto de Nóbrega. Cozete fez coro, introduzindo uma linha autoajuda na discussão, logo seguida por Mariana Mesquita. “Os valores são a principal riqueza de uma pessoa e não poder comprar aviões”, disse, referindo-se – acredite – a valores éticos. “A verdadeira riqueza é achar graça na simplicidade da vida”, corroborou a mulher de Luizão.

O show de Narcisa e Val foi certamente mais divertido do que a estreia de Aeileen nos palcos. Nervosa, a aspirante a cantora sertaneja não participou da coletiva de imprensa. Diante de uma plateia vazia, tomada quase inteiramente pela equipe de Mulheres Ricas, a caçula da temporada fez seu primeiro show sob a batuta de Cossete. Ela lançou a música Será Pedir Demais, de sua autoria, e cantou o sucesso Chora, me Liga, de João Bosco e Vinicius, entre outras canções. Da plateia, os pais da cantora tentavam vê-la desafinar detrás de um arsenal de câmeras e equipamentos de iluminação.

O show foi visivelmente armado para fazer de Aeileen uma vencedora. O final feliz foi construído episódio a episódio por um roteiro forçado que tentava vender a história de uma cantora que enfrentou dificuldades até atingir seu objetivo. Por dois meses, a garota foi alvo de chacotas semanais na TV. “Meu sobrenome é determinação”, disse Aeileen em um momento do reality, já preparando o terreno para a sua pseudo-vitória na indústria fonográfica.

O calvário da breganeja teve comentários ácidos do produtor musical Rick Bonadio sobre seu sobrepeso; ele também deu a entender que duvidava do seu talento artístico. Como se não bastasse, a garota teve escancarada a péssima relação com a mãe controladora e ouviu de Val que precisava fazer cirurgias plásticas para diminuir o nariz e aumentar os seios. O bullying veio também nos comentários de Andrea sobre o hábito de Aeileen falar mal dos outros pelas costas.

O sucesso da sertaneja armado pela direção do Mulheres Ricas é uma metáfora do próprio programa, inócuo como a vocação da cantora e os desentendimentos forjados entre as participantes desta edição. No final do espetáculo, aliás, quando todas as ricas subiram ao palco, Aeileen sumiu. Narcisa roubava as atenções mais uma vez. A carioca arrancou o microfone das mãos da cantora e começou a berrar, com seu senso de link afiado, “Eu sou a rainha dos gays”. Seria trágico se não fosse cômico? Mas já nem é tão cômico assim.

(Colaborou Meire Kusumoto)