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Vanessa Gasparetto: À luz de Zibia

Aos 34 anos, a neta da autora de livros espíritas assume a direção da editora familiar, que declara ter vendido 22 milhões de cópias

Como está sua avó no além-vida? Temos notícias de que está bem, em tratamento, como se fosse em um hospital. Ela mesma ainda não estabeleceu contato, afinal a morte, por câncer de pâncreas, foi recente (10 de outubro). Quem desencarna precisa desse tempo, que varia de pessoa para pessoa. Sabemos que minha avó está com parentes que se foram. Em maio, o filho dela, meu tio Luiz, morreu, de câncer de pulmão.

Sua avó psicografou dezenas de livros. Ela, agora em outro campo, vai ditar livros a pessoas de carne e osso? Minha avó dizia atuar como secretária de Lucius e Silveira Sampaio, as duas principais entidades incorporadas por ela. Se ela fará o mesmo que eles, essa é uma curiosidade natural que temos. Eu adoraria receber suas mensagens.

A Zibia deixou alguma obra pronta? Sim, dois romances inéditos, os quais vamos revisar antes de lançar. O método de trabalho de minha avó, que costumava psicografar oito horas por dia, cinco dias por semana, consistia em incorporar e, depois, revisar sem estar com a entidade no corpo. Logo após sua morte, lançamos O Poder da Vida, este já finalizado há certo tempo, com perguntas e respostas sobre nosso caminhar.

Como foi a morte de sua avó? Ela desencarnou em casa, na cama, aos 92 anos. O câncer dela, agressivo, foi descoberto em fevereiro. Ao contrário de muitos pacientes, não sentiu dor. Conversava e dançava com as cuidadoras. Tinha consciência de tudo. Quando meu tio morreu, ela tomou a decisão de não vê-lo no caixão. Queria ficar com uma boa imagem dele.

Publicado em VEJA de 5 de dezembro de 2018, edição nº 2611