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‘Unbreakable Kimmy Schmidt’ mantém humor bobo e absurdo (e maravilhoso)

Novos episódios de série cômica da Netflix, criada por Tina Fey, estreiam nesta sexta-feira no canal e repetem controversa fórmula do ano anterior

A segunda temporada de Unbreakable Kimmy Schmidt, que estreia nesta sexta-feira na Netflix, mantém a fórmula de humor absurdo e rápido que dividiu opiniões no ano passado. A continuidade prova que os simpatizantes do programa venceram os haters. Afinal, trata-se aqui de uma série em que a personagem principal passou 15 anos presa em um bunker conduzido por uma seita, acreditando no fim do mundo. A premissa já mostra que os episódios a seguir não podem ser levados a ferro e fogo. Fecha o roteiro o humor ácido de Tina Fey, criadora do programa.

Os quatro personagens principais retornam com as já conhecidas características. A protagonista Kimmy (Ellie Kemper) ainda sorri o tempo todo com sua ingenuidade e deslumbramento; Titus (Titus Burgess) continua extremamente narcisista; Lillian (Carol Kane) é a senhora louca e golpista, mas maternal; e Jacqueline (Jane Krakowski) permanece na pele da rica excêntrica e que – sem nunca ter sido presa em um bunker – consegue ser mais ignorante que Kimmy sobre o mundo real.

A grande diferença dos novos episódios é que o cativeiro de Kimmy foi praticamente esquecido. Ao invés da batalha para recuperar tudo o que perdeu durante o tempo que ficou sequestrada, a protagonista agora está mais familiarizada com a loucura da cidade de Nova York, e tenta ajudar os amigos e dar um rumo à vida de adulto. Alguns episódios, aliás, nem utilizam flashbacks para o passado, como era feito na primeira temporada.

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Os três coadjuvantes ganharam mais tramas próprias, além de darem suporte às piadas envolvendo Kimmy. No começo da temporada, Jacqueline se destaca. Depois do divórcio, ela retorna à comunidade indígena dos pais, tentando se reintegrar às raízes. Mas ao perceber que o lugar dela é realmente Manhattan, retorna para Nova York, onde tem que esconder que ganhou “apenas” 12 milhões de dólares no divórcio e que precisa “diminuir” seu estilo de vida. Já Lillian não quer que o seu bairro seja invadido por hipsters e sofra uma especulação imobiliária. Enquanto Titus se envolve com outro homem, que, na verdade, é o pedreiro ex-hétero que berrava cantadas para Kimmy na primeira temporada.


As piadas chegam rápidas e frequentes, às vezes com poucos segundos de diferença, para preencher com agilidade os 30 minutos de duração do episódio. As gargalhadas prometem ser duradouras. A série continua repleta de referências à cultura pop, seja à família Kardashian, aos hipsters, a vídeos de gatinhos na internet, aos musicais, ou à própria série.

Os criadores de Unbreakable Kimmy Schmidt, Tina e Robert Carlock, são mestres da auto-ironia, e não diminuem os absurdos das suas piadas. Um exemplo ocorre logo no terceiro episódio, quando Titus resolve fazer uma peça de teatro interpretando uma gueixa – identidade que faria parte de uma de suas vidas passadas. A transfiguração do homem negro em uma mulher japonesa causa fúria em um grupo de asiáticos que se revolta com a peça através da internet. Uma clara referência à ideia que os roteiristas tiveram na primeira temporada de colocar Jacqueline, a dondoca loira de olhos azuis, como uma descendente de nativo-americanos, o que abocanhou algumas críticas.

Unbreakable Kimmy Schmidt supera o desafio de manter em sua segunda temporada o mesmo ritmo da primeira, e mostra que sabe fazer piada com qualquer tema, seja os preconceitos da sociedade americana, machismo, ou dramas familiares. O principal ingrediente para tal fórmula é a ingenuidade da protagonista (por exemplo quando ela ri inocentemente ao ver Titus beijando seu parceiro e diz “são dois garotos”). Soma-se à moça o humor absurdo, que exagera de estereótipos (principalmente em qualquer cena envolvendo Jacqueline). A série é leve e, ao mesmo tempo, oferece muita empatia, ao proporcionar momentos cômicos em que os telespectadores se permitem ser bobos junto com os personagens.