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Tijuca, Vila e Beija-Flor disputam o título, depois de uma segunda-feira marcada por falhas técnicas na Sapucaí

Enredo sobre Roberto Carlos emociona a Avenida. Salgueiro, apesar da ótima apresentação, enfrentará a perda de pontos com o estouro no cronômetro

Para cada minuto excedido, o regulamento prevê perda de 0,1 ponto – nesse caso, um total de 1,0 ponto a ser debitado do Salgueiro, distância irrecuperável diante dos bons desfiles da Tijuca, Vila Isabel e Beija-Flor

Teve fim na manhã desta terça-feira um dos carnavais mais esquisitos de todos os tempos. Das 12 escolas do Grupo Especial que passaram pela Marquês de Sapucaí, poucas saíram satisfeitas da Avenida. Uma delas é a Unidos da Tijuca, do carnavalesco Paulo Barros, que voltou a surpreender o público e desponta como a grande favorita. Se vencer, ela se tornará bicampeã. O desfile deslumbrante da Vila Isabel e a sempre competente Beija-Flor também estão no páreo, todas separadas do Salgueiro pelos graves problemas técnicos que a escola enfrentou – o mais grave deles, um atraso que custará preciosos décimos no cômputo final da nota.

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Com um desfile sobre a vida do cantor Roberto Carlos, a Beija-Flor foi a única a se destacar no segundo dia de desfiles. Ainda assim, a escola de Nilópolis ficou aquém do que se costuma esperar dela. As fantasias luxuosas e com excelente acabamento destoaram dos carros alegóricos, que refletiram a crise de identidade estética vivida pela agremiação. O carisma do homenageado, no entanto, fez a diferença e garantiu a empatia com o público. O samba-enredo simples e direto – coisa recente na agremiação de Nilópolis, famosa por criar letras rebuscadas – também ajudou.

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A Beija-Flor chegou a ameaçar não desfilar devido à grande quantidade de óleo derramado na pista pelas escolas anteriores. A Liesa agiu rapidamente, jogando serragem no chão para tentar sanar o problema. Não teve jeito. Na primeira cabine de jurados, a comissão de frente e o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Claudinho e Selminha Sorriso, mal conseguiam se manter de pé, e tiveram suas apresentações bastante prejudicadas. Problemas de evolução, sem grande gravidade, também podem custar alguns décimos.

Desfile da Salgueiro no segundo dia do grupo especial, no Carnaval 2011 do Rio Desfile da Salgueiro no segundo dia do grupo especial, no Carnaval 2011 do Rio

Desfile da Salgueiro no segundo dia do grupo especial, no Carnaval 2011 do Rio (/)

O drama do Salgueiro – Mas a campeã no quesito falta de sorte foi mesmo o Salgueiro. Séria candidata a destronar a Tijuca, a escola, com enredo sobre o Rio como cenário de cinema, protagonizou na avenida um drama com final infeliz. Com carros enormes, o Salgueiro partiu para o tudo ou nada. E acabou ficando com o nada. Para a maior parte do público, foi um desfile magnífico, irreverente e de fácil entendimento. Mas, nos bastidores, a situação era bem diferente. Praticamente todos os carros tiveram problemas para fazer a curva de entrada na pista e, depois, para sair da área de dispersão.

A consequência foi um enorme atraso, que levou a escola a estourar em 10 minutos o tempo máximo de desfile. Para cada minuto, o regulamento prevê perda de 0,1 ponto – nesse caso, um total de 1,0 ponto. Esta, provavelmente, uma distância irrecuperável diante dos desfiles de grande qualidade técnica da véspera, feitos por Tijuca e Vila, e pela Beija-Flor, que ainda desfilaria.

Superação – Duas escolas atingidas pelo incêndio na Cidade do Samba desfilaram nesta segunda-feira: União da Ilha e Grande Rio. A primeira, que teve todas as fantasias e um carro queimados, fez um desfile memorável. Com luzes e movimentos, as alegorias do carnavalesco Alex de Souza causaram excelente impressão. E mesmo entre os figurinos, refeitos em menos de um mês, era possível achar várias boas ideias, que ajudaram a tornar o desfile agradável.

Já a Grande Rio, que simplesmente perdeu tudo no incêndio, fez milagre. Em um mês, alegorias com luzes brilhantes, algumas fantasias bastante criativas e bonitas, uma bateria afiada e uma comissão de frente surpreendente garantiram um espetáculo mais do que digno. A escola de Caxias teve ainda que superar uma tempestade, que teimou em cair somente durante a sua apresentação. Membros da escola choravam na avenida e mostravam orgulhosos para os jurados o que tinham conseguido aprontar em tão pouco tempo. Uma demonstração de força. Ronaldinho Gaúcho, como havia feito na noite de domingo, na Portela, foi uma das sensações do desfile da Grande Rio.

Com um enredo sobre Maria Clara Machado, a Porto da Pedra levou para a avenida um desfile competente, com muitos elementos lúdicos, mas não o bastante para estar entre as agremiações que devem voltar no sábado das campeãs. A nota feliz para a escola de São Gonçalo é uma mudança na trajetória marcada por apresentações que sempre “brigavam para não cair”. Mesmo que o rebaixamento estivesse nas hipóteses do Grupo Especial este ano – ele não está devido ao incêndio na Cidade do Samba, que forçou uma mudança nas regras – a Porto da Pedra não correria esse risco. Um dos melhores momentos da apresentação foi o uso de um balão para fazer um destaque da escola ‘levitar’. Vale a pena esperar o próximo desfile para constatar o que pode ser uma agremiação que se profissionaliza e, com isso, pode fazer grandes carnavais.

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