Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Thiago Lacerda não quer mais ser celebridade

Fazendo coro aos famosos ressentidos com a fama, o ator quer discutir "as regras do jogo"

“Ninguém tem direito de ofender ninguém. Mas os caras extrapolam. Ao invés de tirar uma foto e ir embora, o sujeito senta do seu lado e tira mais outra e outra foto do que, no final das contas, não é nada demais. É só um dia de praia”

Thiago Lacerda entrou para valer na carreira de ator em 1998, no papel de um ator em busca de uma vaga de galã. Aos 20 anos, rosto lindo, olhos claros, porte atlético e tendo no currículo apenas a novelinha Malhação, estreou na TV Globo como o Aramel de Hilda Furacão. No ano seguinte, ganhou o papel principal de Terra Nostra e tornou-se um dos galãs oficiais da emissora. Agora, aos 32 anos, casado e pai de dois filhos, Thiago inaugura uma nova fase. Está em cartaz no teatro, como protagonista de Calígula, de Albert Camus, e decidiu que, além de “dialogar em outras linguagens”, quer promover um debate sobre as revistas de celebridades.

Thiago é uma celebridade de relação difícil com o mundo das celebridades. Não tem muita paciência com o assédio de fãs, menos ainda com repórteres e nenhuma com paparazzi. Há pouco tempo, xingou fotógrafos que o seguiam na praia. Mas admite que a fama que ganhou na televisão é o que está por trás do sucesso de público que está tendo no teatro. “Sei que muita gente veio aqui para ver o ator da tevê, mas saíram daqui com uma nova impressão de mim e do teatro. Isso não tem preço”, disse a VEJA.com em seu camarim no Teatro Sesc-Ginástico, no Rio de Janeiro. E diz que gostaria de definir “as regras do jogo”. Quer discutir a possibilidade de cobrar para ser capa de revista. “Não é pelo dinheiro, porque acho que poderíamos reverter o cachê para instituições de caridade, mas é uma questão de justiça”, avalia.

O ator que não gosta de expor a vida pessoal se derrete ao mostrar fotos da mulher e dos filhos Gael e Cora. “É o meu pedacinho de lar aqui no trabalho.” No dia desta entrevista, levou Gael para assistir o espetáculo. “Não é uma coisa que eu faço sempre, mas quando a Vanessa tem um compromisso eu o trago. Gosto que venha ao teatro, saiba o que eu faço. Ele já entende o que é o meu trabalho. Outro dia entrou no camarim apontou para a minha foto e falou Calígula.

Calígula – O ator estava ansioso com a temporada da peça no Rio de Janeiro, mesmo depois de se apresentar em São Paulo e mais 10 capitais brasileiras. Mas já se tranquilizou. Dirigida por Gabriel Villela, Calígula já foi vista por 7.000 pessoas em duas semanas, e ganhou elogios da severa dama da crítica teatral, Bárbara Heliodora. “Nossa peça veio para quebrar esse mito de que o carioca não gosta de trabalhos mais pensantes, as pessoas deliram com a peça, isso vale mais do que qualquer crítica positiva”, orgulha-se. Thiago lembra que quando recebeu o convite de Villela ficou na dúvida, estava num momento em que queria descansar. “Mas, ao ler o texto, quis sair da zona de conforto e mexer com a minha cabeça e com a do público”, conclui.