Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Testamento dá força à tese de que Marco Polo visitou a China

Um estudo desse testamento, feito por acadêmicos e historiadores ao longo de três anos, proporciona agora um novo olhar sobre o viajante veneziano

No dia 9 de janeiro de 1324, o viajante, mercador e escritor veneziano Marco Polo se preparava para a sua jornada final — o além-túmulo que ele, como cristão temente a Deus, tinha certeza de existir. Então com 70 anos, Polo chamou um padre e tabelião à sua casa de Veneza para registrar suas palavras em latim em uma pele de carneiro de cerca de 67 por 27 centímetros. Um estudo desse testamento, feito por acadêmicos e historiadores ao longo de três anos, proporciona agora um novo olhar sobre Polo, além de novo fundamento à tese de que ele visitou a China, questionada por alguns historiadores.

A Biblioteca Nacional Marciana de Veneza, que tem a guarda do testamento, copublicou um livro em grande formato com uma reprodução do pergaminho, incluindo marcas deixadas pela tosquia do carneiro e manchas de tinta do lado manuscrito. A obra, intitulada Ego Marcus Paulo Volo et Ordino (Eu, Marco Polo, Desejo e Ordeno, em tradução livre), foi produzida pela Scrinium, uma editora veneziana, e é direcionada sobretudo a colecionadores, interessados em história e bibliotecas.

“A última ‘transcrição diplomática’ do testamento tem 150 anos”, disse Stefano Della Zana, diretor cultural da Scrinium, referindo-se ao termo usado pelos especialistas que estudam cartas e caligrafia antigas para produzir interpretações modernas. “Isso foi feito com as técnicas científicas mais recentes e padrões acadêmicos de filologia, por isso erros anteriores foram corrigidos.”