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‘Ter sido expulso da França me salvou’, diz Cohn-Bendit a Bial

Em entrevista ao programa da Globo, o político franco-alemão reflete sobre os protestos de maio de 68 na França e as manifestações de 2013 no Brasil

O político franco-alemão Daniel Cohn-Bendit, de 73 anos, é o convidado desta segunda-feira do Conversa com Bial, da Globo. Na entrevista, gravada em março em Frankfurt, na Alemanha, Cohn-Bendit, um dos líderes do levante popular de Maio de 68 na França, reflete sobre os protestos, as manifestações de 2013 no Brasil e sua paixão por futebol.

Questionado por Pedro Bial sobre a famosa foto em que aparece sorrindo diante de um policial em uma manifestação de maio de 68 e sobre como manteve a saúde mental ao longo dos anos, o político explica por que 68 “acabou” para ele. “É bom saber que em 68 eu tinha 23 anos, era mais jovem que Neymar, e todos dizem que Neymar é uma criança”, diz. “Aquele sorriso é algo possível para a juventude, é a tranquilidade revolucionária da juventude, deixa aparente a vontade de viver. Mas não foi fácil, a verdade é que, no fim, comecei a perder o controle de mim mesmo. Talvez o que me salvou é que eu tenha sido expulso da França e tenha tido que reconstruir minha vida na Alemanha. Tudo isso me ajudou a reconstruir a minha identidade, que não estava mais ligada a maio de 68. Por isso digo que 68 acabou pra mim.”

Cohn-Bendit ainda comentou os protestos que aconteceram no Brasil em 2013. “Cada movimento social tem suas razões e formas. No Brasil, teve um movimento que abordava um tipo de injustiça: se investiu em Copa do Mundo enquanto os hospitais e escolas estavam malcuidados. Um ano antes da Copa do Mundo e no momento em que ia acontecer a Copa das Confederações, o Brasil estava sendo observado e os protestos, com certeza, seriam ouvidos naquele período”, afirma.