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Teatro da Vertigem leva público a percorrer o Bom Retiro

Por AE

São Paulo – Eles já levaram o público ao interior de uma igreja. Com eles, a plateia também atravessou os corredores de um hospital. Ainda na companhia deles, entrou num presídio e subiu numa embarcação em pleno Rio Tietê, além de vê-los dependurados pelas janelas de um edifício.

Agora, 20 anos após a primeira montagem de seu espetáculo de estreia – “O Paraíso Perdido”, encenado na Igreja de Santa Ifigênia, no centro -, o grupo Teatro da Vertigem, que tem como princípio a ocupação de espaços não convencionais para suas apresentações, convida os espectadores, a partir desta sexta, para um passeio pelo Bom Retiro, com a peça “Bom Retiro 958 Metros”. Em um percurso de quase um quilômetro por ruas do bairro, os atores passam por lugares como uma galeria de lojas de roupa e um teatro abandonado.

A gênese para a realização de “Bom Retiro 958 Metros” (referência ao trajeto) foi um período de residência artística na Oficina Cultural Oswald de Andrade, que fica na região, para a preparação de “Apocalipse 1,11”, em 2000, espetáculo que teve como cenário o desativado Presídio do Hipódromo.

Mas o projeto só voltou aos holofotes mesmo em 2010, em um fórum interno que definiu os passos seguintes do grupo, que, então, retornou à região no primeiro semestre de 2011 para realizar workshops e exercícios de improvisação. Depois de uma década, o diretor Antônio Araújo notou que a participação da comunidade boliviana está mais evidente no local, assim como o aumento da presença coreana.

Essas questões migratórias, especialmente nas relações de trabalho da indústria têxtil – já que a região é importante polo da moda na cidade – são alguns dos temas abordados na peça. Assim como o consumismo, o vício no crack e a especulação imobiliária. “Acho que tem uma coisa muito forte no trabalho que é essa perspectiva de trazer à tona um Bom Retiro menos conhecido, que é um Bom Retiro noturno”, observa Araújo.

A reportagem acompanhou um dos ensaios no fim de semana. O ponto inicial é a própria Oswald de Andrade, onde o público chega com ingresso já comprado e recebe um mapa com o percurso do espetáculo. As pessoas ficam livres para seguir todo o trajeto ou fazer sua própria rota, mas a equipe terá um controle da plateia pagante. O que não quer dizer que quem esteja passando pelas ruas não poderá assistir às cenas a céu aberto. Isso é inevitável – e até previsto pelo grupo. As informações são do Jornal da Tarde.

BOM RETIRO 958 METROS

Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363). Tel. (011) 3255-2713. De sexta a 30/9. Quinta a sábado, às 21h; domingo, às 19h. Ingressos: R$ 30 (somente pelo 4003-5588 ou http://www.ticketsforfun.com.br).