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‘Stranger Things’ e os 5 ingredientes da boa série de TV

Nova trama da Netflix mistura referências dos anos 1980 e cativa com roteiro dinâmico

Antes mesmo de chegar ao catálogo da Netflix, a série Stranger Things já era comentada nas redes sociais entre os mais curiosos, atiçados pelos trailers nebulosos e pelo retorno de Winona Ryder ao posto de protagonista. O lançamento, no dia 15 de julho, foi seguido de uma semana repleta de mais comentários e maratonas de espectadores — que apresentaram dificuldade de apertar o botão stop entre um episódio de outro. Tanto frenesi não é à toa.

Com oito episódios de 50 minutos cada, desenvolvidos pelos irmãos Matt e Ross Duffer, o programa mistura elementos nostálgicos do cinema dos anos 1980 com o frescor dos roteiros dinâmicos da TV por streaming do século XXI. Na trama, um garoto desaparece no meio da noite, colocando as autoridades, sua família e seus amigos em uma caçada taciturna por seu paradeiro.

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Confira abaixo cinco ingredientes que fazem de Stranger Things um sucesso instantâneo:

1 – Personagens espertos

É comum em narrativas longas a presença do personagem chato ou tolo. Aquele que atrapalha o caminho do protagonista, que trava a investigação de um mistério ou se coloca entre um importante encontro de indivíduos. Sua função “ajuda” a esticar a trama e causar ainda mais ansiedade (ou raiva) em quem assiste. Em Stranger Things, o chato não existe. Os personagens se desenvolvem com rapidez e em sincronia. Os poucos irritantes do roteiro servem como coadjuvantes do coadjuvante. Ou seja, só apimentam umas poucas cenas e logo saem do caminho.

Winona Ryder na série 'Stranger Things'

 

2 – Elenco afiado

A maior parte da série fica sob a responsabilidade de cinco crianças e três adolescentes pouco conhecidos. A inexperiência do elenco não foi uma pedra para o desenvolvimento do seriado. O grupo principal, formado por Mike (Finn Wolfhard), Eleven (Millie Brown), Dustin (Gaten Matarazzo), Lucas (Caleb McLaughlin) e o desaparecido Will Byers (Noah Schnapp) segura o roteiro com gana de astros hollywoodianos. Os intérpretes de Mike e Eleven, aliás, roubam o protagonismo de Winona Ryder. Mesmo que a atriz tenha se jogado na pele da mãe desesperada, que já não come, nem dorme e provavelmente não toma banho enquanto busca pelo paradeiro do filho.

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3 – Roteiro honesto

Filmes e séries de suspense e terror tendem a ser desonestos com o espectador. Criam momentos desnecessários de sustos vazios, que em nada colaboram para a história. Outro caminho batido é conduzir o público para suspeitos variados e teorias que serão derrubadas quase no fim da trama. Em Stranger Things o roteiro é direto, dinâmico e honesto. Nada de sustos desnecessários, nem de criar caminhos que não serão resolvidos. O público sabe tanto quanto os protagonistas. O mistério do sumiço de Will e a dúvida sobre o que é a criatura que o levou são revelados aos poucos e de maneira convincente. Até o namoro adolescente clichê ganha novos contornos bem mais naturais.

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4 – Inspiração nostálgica

Stranger Things não se propõe a inventar a roda. A série se apoia em filmes clássicos dos anos 1980 de forma declarada e respeitosa. Desde a identidade visual da abertura até as diversas referências à cultura pop da época, algumas usadas em falas dos personagens, outras como base para a montagem de cenas. O cinéfilo Finn Wolfhard, intérprete de Mike, conta que se inscreveu para os testes da série quando leu o resumo enviado por seu agente que dizia: “Uma carta de amor no estilo anos 1980 em tributo aos filmes de John Carpenter e Steven Spielberg”. Na prática, a série é bem mais Spielberg do que Carpenter. O clássico E.T. – O Extraterrestre (1982) é a alusão mais óbvia e constante. O grupo de garotos andando de bicicletas pelas ruas, ou Mike escondendo Eleven como Elliott ocultava o amigo alienígena, são algumas das muitas comparações possíveis. Os Goonies (1985), Conta Comigo (1986), Alien (1979) e Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977) são outros títulos base da série, como mostra o vídeo a seguir.

 

5 – Tema em alta

A TV americana vive uma bonança de boas produções dramáticas e pé no chão, mas quem tem arrebanhado espectadores são séries que apostam no vasto mundo da fantasia e ficção científica, caso dos hits The Walking Dead e Game of Thrones. A produção da Netflix segue o filão, mas com um apelo mais jovem. Logo no primeiro episódio percebe-se que o causador do sumiço de Will não é algo desse mundo. E mesmo se for, é alguém cientificamente alterado. O mistério em torno da figura não-humana se revela aos poucos, em cada episódio, e apresenta uma explicação verossímil dentro daquele universo.

Comentários

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  1. Nilton Castro

    Normalmente não comento “Entretenimento” (porque não sei escrever), mas ao ler este texto tão brilhante sobre Stranger Things, eu não pude deixar meu teclado calado. Não conseguí desgrudar os olhos até chegar ao final. Uma jóia montada com letras, é como eu vejo este trabalho.

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  2. Roberto Michelson

    Uma amiga insistiu para que eu assistisse e realmente, estou no sexto capitulo e adorando. ScyFi com terror na dose certa, sem exageros, e a garotada é show de bola.

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  3. Eu sou fã de filmes de ficção, mas detesto aqueles filmes óbvios e ou com muitos infeites. Acho que não são apenas os efeitos que dão alma a um bom filme. Esta série deixa a sensação de que não se pode perder um segundo e nem se pode esperar (para outro dia) o próximo capítulo. não resisti e terminei a série em dois dias.

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  4. Luiz Zimmermann

    Sem novidades, diria amador até…, haja CARENCIA dizer que é maravilhosa essa serie!

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