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Sophia Loren: ‘Não sei o que fazer quando ficar mais velha’

A atriz de 76 anos recebeu o maior reconhecimento artístico do Japão

“Talvez eu represente o símbolo da mulher de um tempo atrás, uma mãe, uma família, um trabalho, muito ligada a um núcleo familiar”

Ao ser agraciada com o maior reconhecimento artístico do Japão, a atriz italiana Sophia Loren – a primeira a receber a homenagem – fez um balanço de sua vida e carreira disse se sentir “profundamente” feliz. “Este prêmio resume de forma brilhante todo o meu trabalho, todos os valores que me inspiraram ao longo da minha carreira”, disse na terça-feira, após receber o Praemium Imperiale das mãos do príncipe Hitachi, irmão do imperador Akihito, em Tóquio.

A exuberante atriz compareceu à cerimônia vestindo um tailleur vermelho que deixava o colo à mostra com um ousado decote. Deixando claro que a idade não é um problema para ela, disse que não tem pressa para decidir sobre seus próximos projetos. “Depende das histórias que me ofereçam e se o papel se encaixa.” Aos 76 anos, brincou sobre o futuro: “Eu ainda não sei que vou a fazer quando ficar mais velha”.

Ela ainda fez questão de destacar que trabalho não é tudo e, por isso, passa boa parte do ano na Suíça, longe das câmaras. “A vida é bonita e não é só fazer filmes. É descobrir o que existe no seu interior, o que fazer com a família, com as crianças. Tantas outras coisas bonitas sobre as quais as pessoas falam muito pouco”, destacou, na entrevista coletiva após o prêmio.

Fama – Ao falar do sucesso na carreira, Sophia Loren contou que sempre soube que seria famosa. “No colégio, escrevi em um caderno o que queria ser: Sofia Scicolone (seu nome verdadeiro) será uma grande estrela, dizia. A vida me deu a possibilidade de ter o que sempre quis”, enfatizou, complementando: “Eu não nasci uma dama. Era só uma menina muito pobre de Pozzuoli”, perto de Nápoles, onde cresceu.

Agora, apesar da ótima forma e do bom gosto no figurino, diz que não se vê como um ícone de estilo. “Cada vez que leio algo assim fico muito surpresa.” E continuou: “Talvez eu represente o símbolo da mulher de um tempo atrás, uma mãe, uma família, um trabalho, muito ligada a um núcleo familiar”. Família, aliás, foi um tema muito presente durante toda a entrevista coletiva, na qual admitiu que um dos papéis mais difíceis de sua vida foi interpretar, este ano, sua própria mãe, Romilda, em uma minissérie para a TV italiana inspirada na vida dos Scicolone. “Tentei ser o mais correta possível, dar sentimento a esse papel. Foi um dos emotivamente mais difíceis para mim.”

A estrela italiana encerrou sua apresentação em Tóquio entre aplausos e com uma recomendação aos fãs: “Se você realmente quer algo na vida, tem que tentar alcançar cada vez que levantar de manhã. Se não for hoje, talvez seja amanhã. Ou talvez nunca. Mas às vezes acontece. E foi o que eu fiz”. Além de Sophia Loren, outros dois italianos também foram homenageados: o pianista Maurizio Pollini, na música, e Enrico Castellani, na pintura. A lista se completa com a artista alemã Rebecca Horn, na categoria escultura, e com o japonês Toyo Ito, na arquitetura.

(Com agência EFE)