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Selfies, maromba e autoajuda: a maratona de Schwarzenegger em SP

Protegido por mais de 50 seguranças, astro circulou por feira que leva o seu nome e encarou o ávido assédio de fãs – entre eles, subcelebridades nacionais

Em um tatame duas meninas com cerca de sete anos rolam pelo chão em uma disputa de jiu-jitsu. Logo ao lado, homens ultramusculosos levantam ofegantes centenas de quilos. Nas proximidades, um estande oferece coxinha maromba; outro, batata doce em pó. O cenário ganha uma movimentação ainda mais excêntrica quando cinquenta seguranças, fotógrafos e fãs se posicionam em frente a uma saída de emergência. Todos esperam a mesma coisa: a chegada de Arnold Schwarzenegger. O ator hollywoodiano, a quem VEJA teve acesso exclusivo, é a estrela de primeira grandeza da feira de fisiculturismo e produtos fitness que leva seu nome, a Arnold Classic South America.

Pela primeira vez na capital paulista, a 5ª edição do evento cresceu 30% em espaço ocupado sobre o ano anterior, sediado no Rio de Janeiro. O ator sai de um carro preto e entra no pavilhão do Transamérica Expo Center, na zona sul de São Paulo. Os gritos começam: “Arnold! Arnold!”. Os seguranças, em linha, de braços dados separam o astro das centenas de pessoas com celulares em punho. Simpático, Schwarzenegger sorri, enquanto desfila um look jovial: camisa polo azul, calça cargo marrom e tênis branco. Mas são os óculos escuros que disfarçam os 69 anos de idade estampados no rosto da celebridade.

Como em uma gincana, cujo roteiro da aventura já está pré-definida, o ex-governador da Califórnia segue uma rota. Ele segue para uma pequena quadra de tênis, onde crianças em cadeiras de rodas disputam uma partida. Joga as bolinhas e tira fotos com os atletas-mirins. Em seguida, encara uma das grades e cumprimenta fãs. “I will be back”, grita alguém em referência à uma das falas imortais proferidas por ele no filme O Exterminador do Futuro.

Cinco minutos depois, já está em outro cenário: a competição de strongman. Ele sobe com mais quatro pessoas em um tipo de carroça metálica cujos pesos humanos somam 370 quilos. Um atleta segura a alça do ‘veículo’ para tirá-lo do chão. Não consegue. Outros tentam, incluindo o brasileiro Marcos Ferrari, mas sem sucesso. Recebem uma salva de palmas de consolação. Do alto, Arnold lamenta e aplaude — parecia um capitão em uma galé a se divertir com os esforços dos remadores. Um competidor americano muda a situação: faz seis levantamentos em 60 segundos, o tempo regulamentar, para delírio do público.

Em deslocamento por um corredor estreito, sempre contornado pela equipe de segurança, Schwarzenegger passa pela apresentação de um grupo fantasiado de dragões chineses e chega a uma demonstração de calistenia, um tipo de exercício que usa apenas o peso corporal para tonificar os músculos. Ali, um homem de 80 anos faz movimentos de ginástica olímpica em uma barra. Schwarzenegger saca os óculos, que possuem uma câmera especial para vídeos que são postados em sua conta no Snapchat, registrada como arnoldschnitzel. A cena realmente merece ser registrada. Mesmo que em um aplicativo efêmero.

O roteiro então desemboca em um campeonato de pole dance onde uma menina cega se apresenta. Outras atividades são testemunhadas pelo padrinho da feira. De jovens que pulam corda ao som de Gusttavo Lima a lutadores que praticam muay thai e jiu-jitsu, até um animado jogo de pebolim. O sorriso mecânico do ator se mantém ao longo de todo o percurso. E em todas as selfies requisitadas.

“Estou extasiada. É minha terceira foto com ele”, diz a modelo e sub-celebridade Gracyanne Barbosa, bastante maquiada, perfumada e decotada. O nadador Gustavo Borges, Marcos Mion e o ator Bruno Gagliasso se reduzem à condição de tietes. Tudo por um clique ao lado do musculoso (quase) setentão, que só tira fotos, sem papo para jogar fora.

Somente o professor de educação física Edgar Anselmo, 37 anos, desperta no ator uma animação genuína. Culpa da camiseta estampada com elementos dos principais filmes do “governator”. Agora, quem pede por uma foto é Schwarzenegger. Pelo momento, que durou menos de 10 segundos, o professor pagou 1.275 reais em um pacote que incluía assistir à competição de body building que ocorreu à noite. “Eu pagaria 5.000 reais”, diz, emocionado.

Até então, a maratona já dura duas horas. Schwarzenegger é humano e senta-se para almoçar — sem whey no cardápio. Após ser servido, ele sobe ao palco para ser entrevistado por Gustavo Borges. Porém, o espaço só é grande o suficiente para uma celebridade. Arnold domina em um monólogo, no qual mistura marketing com autoajuda para explicar o sucesso da feira, presente em seis continentes.

Ao final do almoço, a estrutura de seguranças se coloca mais uma vez em movimento. Arnold vai para a área externa do Expo Center para tirar uma foto com um réplica de si mesmo esculpida em um metal dourado. O momento fura a impenetrável corrente de proteção humana. Uma equipe do programa Pânico tenta entregar uma peruca similar ao cabelo de Donald Trump ao ator. Na confusão, a segurança Sandra Duarte, 48 anos, tropeça ao lado de Arnold e cai no chão. Ele para, lhe dá a mão e levanta do chão. Em seguida, entra no carro, que se esforça para deixar a feira sem atropelar ninguém. Daniel Ketchell, o assessor de imprensa do astro, garante que nos EUA o frenesi é menor. “Nos demais países é mais selvagem”.

No segundo dia da feira, uma agenda mais burocrática de visita aos estandes dos patrocinadores. Antes, um homem se ajoelha à frente do ator e consegue a tão sonhada selfie. Arnold segue para uma disputa de queda de braço entre mulheres. Até o locutor e o juiz da competição param suas atividades para conquistar uma foto com o ex-campeão de fisiculturismo.

Entre tantos músculos, o cérebro conseguiu um espacinho na Arnold Classic. A última passagem do governador pela gincana da feira acontece na área onde ocorre um campeonato de xadrez. O astro atrai olhares enquanto senta-se em oposição a Vítor Ferraz, de 9 anos. Arnold faz uma só jogada: move a rainha, que passa a ameaçar um peão. “Eu teria feito outra coisa”, diz o menino, tímido.

Antes do esperado “the end”, Schwarzenegger ainda encara mais um sessão de fotos. Os sinais do cansaço aparecem e ele reclama que o limite que fora estabelecido, de 80 pessoas, havia estourado. O nervosismo acaba quando alguém o avisa, em voz baixa, que as demais fotografias seriam com voluntários e pessoas da equipe. Ele cala e consente. Volta para o estúdio azul, onde tira fotos com seus mais de 50 seguranças — sempre sorrindo.

Comentários

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  1. Mais um socialista apoiando Doria, como ultima forma de salvar o comunismo do PSDB…Casado com parente do comunista playboy J. F. Kennedy…

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  2. sebastiao ferreira cantarino

    Quem pode pode, quem não pode puxa o rabo do bode.

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  3. Exemplo de pessoa que buscou a conquista de seus sonhos, desde a adolescência. Sim, fez o seu marketing pessoal e da grande empresa que é o seu nome. Grande Arnold!

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