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Secretária da Academia Sueca deixa cargo em meio a escândalos sexuais

Entidade responsável pelo Nobel de Literatura vive momento de divisão desde o fim de 2017, quando marido de acadêmica foi acusado de violentar 18 mulheres

A secretária permanente da Academia Sueca (responsável pelo Nobel de Literatura), Sara Danius, deixou o cargo nesta quinta-feira. O anúncio aconteceu após uma reunião convocada para discutir os escândalos sexuais que atravessam a instituição e já levaram à renúncia de outros três membros.

Danius não quis revelar se sua saída foi decidida em votação, e afirmou que ainda não nomearam um sucessor. “Não posso entrar nisso, é confidencial. É a vontade da Academia e a aceito. Gostaria de continuar, mas há outras coisas para fazer na vida”, disse a secretária ao fim da reunião.

O encontro foi o primeiro desde a renúncia dos acadêmicos Klas Östergren, Kjell Espmark e Peter Englund, uma forma de protesto contra as denúncias de assédio e abuso sexual contra o dramaturgo Jean-Claude Arnault. O francês dirige um centro de exposições na capital sueca financiado pelo Nobel, e é casado com uma das integrantes da Academia, Katarina Frostenson.

Escândalo sexual

Enquanto centenas de casos de abuso sexual pipocavam em Hollywood, 18 mulheres acusaram Jean-Claude Arnault de assediá-las e estuprá-las nas dependências da Academia Sueca. Os casos supostamente aconteceram entre 1997 e 2017. Entre as vítimas, estão acadêmicas, mulheres de acadêmicos e até filhas de alguns deles.

Testemunhas oculares corroboraram os depoimentos das mulheres. Ao jornal Dagens Nyheter, que veiculou as denúncias, uma delas, violentada em um apartamento de Estocolmo, afirmou que “todo mundo sabe e sempre soube” dos casos.

A Academia chegou a cogitar a expulsão da esposa de Arnauld, Katarina Frostenson, suspeita de violar a política de concessões da Academia em prol do clube literário dirigido pelo marido. A proposta, no entanto, foi negada pela maioria dos acadêmicos, levando a renúncia dos outros três, que foram a público criticar os colegas por não zelar pela integridade da instituição.

A Promotoria da Suécia também abriu um inquérito contra Jean Claude Arnauld.

Com a saída de Saria Danius, apenas 12 das 18 cadeiras da Academia Sueca estão ocupadas. Uma vez nomeado, o cargo na instituição é vitalício.

(com Agência EFE e AFP)