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Sarah Brightman: “Brilhei em vários gêneros”

Consagrada nos musicais e também na carreira-solo, a soprano inglesa — que faz shows no Brasil em novembro — fala de suas realizações sem falsa modéstia

A senhora participou da primeira montagem de um espetáculo que marcou época no teatro musical — O Fantasma da Ópera, que estreou em 1986, em Londres. Como foi viver a personagem Christine? Naquele tempo, eu era casada com Andrew Lloyd Webber, o compositor, o que ajudou: era bem fácil entender o que ele queria que eu fizesse em cada uma das músicas. Minha Christine foi inspirada naquelas heroínas de filmes antigos. Sabe aquelas que nunca sorriem, que sempre têm uma expressão misteriosa no rosto?

O Fantasma da Ópera continua sendo exibido e recentemente ganhou nova montagem no Brasil. A senhora tem paciência de assistir ao espetáculo ainda hoje? É claro! Aproveito para ver como cada intérprete de Christine se sai no papel que consagrei.

Como a senhora definiria seu estilo musical? Sou uma combinação de vários gêneros e posso dizer que brilhei em todos. Meu dueto com o tenor Andrea Bocelli em Con Te Partirò, em 1997, ajudou a popularizar a música clássica mais que as incursões pop de Luciano Pavarotti. Muitas cantoras atuais de heavy metal se inspiraram em meu estilo.

Também houve uma incursão pela disco music, não?  Participei do grupo Hot Gossip, nos anos 70. Não cheguei ao sucesso de uma Donna Summer, mas fui influente. Outro dia, em um evento na Inglaterra, fui abordada por Nile Rodgers, guitarrista do Chic. Ele contou que um dos sucessos de seu repertório, Spacer, foi baseado num hit meu.

Qual será seu repertório no Brasil? Haverá muita coisa do meu novo disco, Hymn, que será lançado mundialmente no início de novembro. Mas não posso deixar de cantar meus hits, pois esta é minha primeira turnê pelo país — antes, só fiz apresentações esporádicas. A ideia é ordenar as canções de maneira que contem uma história. O público sairá feliz.

Em 2012, a senhora anunciou, em Moscou, que faria uma viagem à Estação Espacial Internacional e até cantaria lá. Três anos depois, o projeto foi abortado. O que aconteceu? Minha viagem espacial foi cancelada por motivos que não posso revelar no momento. Só posso adiantar que não é fácil lidar com o governo russo.

Publicado em VEJA de 10 de outubro de 2018, edição nº 2603