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Roberto Talma segue trilha de diretores de TV que apostam no cinema

Lázaro Ramos já está escalado para a adaptação cinematográfica de Gota D’Água, musical de Chico Buarque e Paulo Pontes baseado na tragédia grega Medeia, de Eurípedes. O filme deve ser o primeiro projeto para os cinemas de Roberto Talma, diretor de longa carreira da Rede Globo que se aventura agora pela sala escura com a produtora do filho Raphael Vieira, a recém-lançada Coqueirão Pictures.

Talma não é o primeiro diretor da Globo a apostar no segmento. Nos últimos anos, profissionais consolidados como Daniel Filho, Guel Arraes e Luiz Fernando Carvalho, do único mas ótimo Lavoura Arcaica, têm transportado projetos da TV para a tela grande ou desenvolvido propostas sob medida para o set de filmagens.

Daniel Filho é provavelmente o mais prolífico de todos. De 1994, ano da retomada do cinema nacional, para cá, seu nome aparece no cartaz de mais de 40 filmes, não contando aí os do filão Renato Aragão. Em oito deles, figura como diretor (incluem-se aqui sucessos como os dois Se Eu Fosse Você) e em outros tantos como produtor ou co-produtor (é o caso de Última Parada 174, de Bruno Barreto, e do belo O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger). Às vezes, aparece nas duas funções (como em Primo Basílio). Seus filmes são muitas vezes acusados de serem televisivos: com muitos closes e mais próximos do entretenimento do que da arte.

Arraes é um exemplo ainda mais redondo do casamento entre TV e cinema. Seu primeiro filme, O Auto da Compadecida, aproveitou material da minissérie de mesmo nome, uma versão para a TV do livro homônimo de Ariano Suassuna. E foi também criticado por isso: a edição para o cinema não teria perdido a velocidade videoclíptica da minissérie. A fórmula se repetiria, com uma edição mais bem cuidada, em Caramuru, outro filme nascido na Globo, a partir da minissérie A Invenção do Brasil.

Consagrado diretor de novelas de bela fotografia como Renascer e Pedra sobre Pedra, Luiz Fernando Carvalho fez uma investida só no cinema, mas com 100% de aproveitamento. Lavoura Arcaica, uma adaptação do romance de Raduan Nassar, é um filme forte e de qualidade. E carrega consigo outro global: o quase onipresente nos cinemas Selton Mello.

Confira abaixo os filmes de Daniel Filho e Guel Arraes:

Daniel Filho

Em produção: Roque Santeiro

2010: Chico Xavier

2009: Tempos de Paz e Se Eu Fosse Você 2

2007: Primo Basílio

2006: Muito Gelo e Dois Dedos D’Água e Se Eu Fosse Você

2004: A Dona da História

2001: A Partilha

Guel Arraes

2010: O Bem Amado

2008: Romance

2003: Lisbela e o Prisioneiro

2001: Caramuru – A Invenção do Brasil

2000: O Auto da Compadecida