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Rio recebe as gravações da cinebiografia de Pelé

Por Da Redação - 30 out 2013, 11h24

Uma seleção de futebol sem credibilidade supera os favoritos, revela ao mundo o talento brasileiro e traz para o país a sua primeira taça de uma Copa do Mundo. O título teve entre seus protagonistas um garoto de 17 anos, cuja destreza com os pés viria a transformá-lo no atleta nacional mais conhecido de todos os tempos. Mas Pelé: The Birth of a Legend (o nascimento de uma lenda), produção hollywoodiana dos irmãos documentaristas Jeff e Michael Zimbalist que está sendo rodada no Rio, não é só sobre isso.

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É sobre um garoto pobre que era mantido apartado da bola pela mãe. O tio, Francisco, e o pai, João, o Dondinho, haviam sido jogadores derrotados por sérias contusões. Dona Celeste preferia sonhar com um filho doutor. Ao notar sua habilidade com os pés, no entanto, a família Arantes do Nascimento entendeu que não poderia abortar seu futuro. A cena dessa descoberta e da transformação do franzino Dico em Pelé foi filmada em um lar de idosos da Beneficência Portuguesa, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio, pai e filho aos pés de uma mangueira, as mangas como bolas.

Quem faz Dondinho é Seu Jorge; o menino gênio é dividido entre os não atores Leonardo Carvalho, de 11 anos, e Kevin de Paula, de 17. Os garotos, de famílias pobres do Grande Rio, driblaram mais de 400 candidatos brasileiros e outros tantos dos Estados Unidos, do Canadá e da África. Não falam inglês, língua do filme, mas têm a ingenuidade e a astúcia que os diretores buscavam para o personagem. “Era preciso achar o espírito do Pelé, encontrar alguém original e humilde, que tem deslumbramento nos olhos”, explicava Michael em uma pausa rápida nas filmagens para o almoço.

Como Paul Kemsley, presidente do nova-iorquino Cosmos, último time de Pelé (entre 1975 e 1977), Brian Grazer (de Apollo 13 e Uma Mente Brilhante) e o iniciante peruano Ivan Orlic, o ex-jogador é um dos produtores, e fará participação ainda não divulgada.

Em uma época em que as biografias são alvo de discussão, essa cinebiografia se promete intocada. “Pelé não tem o controle criativo. Não faríamos nada chapa-branca. Ele teve as suas fraquezas e isso estará no filme. Mandamos o roteiro que fizemos e não tivemos problema”, garante Jeff (diretor, com o irmão, dos documentários Favela Rising, rodado no Brasil, e Os Dois Escobares, na Colômbia). Seu Jorge acredita que, no caso de uma cinebiografia, em geral com repercussão maior do que um livro, é preciso, sim, ter a anuência do retratado. O importante, ele reforça, é falar a verdade. “Longe de mim ser um censor, mas é bom estar a par do que falam da gente. Não precisa falar bem o tempo todo, mas não pode mentir.”

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Estrela do set, o ator e cantor vive um homem amável com o filho, que tem de convencer a mulher a deixar o menino seguir seu destino. “Foi ele quem viu esse dom do Pelé, sabia que ele tinha algo especial. A vitória foi uma redenção para ele e para o Brasil, que era um país acanhado, no qual ninguém depositava esperança.”

(Com Estadão Conteúdo)

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