‘Rio, Eu Te Amo’ traz histórias muito pessoais, conta diretor

Andrucha Waddington é um dos dez cineastas do filme. Ao site de VEJA, ele fala sobre o papel de Fernanda Montenegro, sua sogra, como moradora de rua

Por Pollyane Lima e Silva, do Rio de Janeiro - 7 set 2014, 15h59

“Tentei fugir dos cartões postais, minha história não pedia isso”, explica o cineasta que escolheu como locação as ruas e praças do Centro para contar a história de uma moradora de rua convicta

Dez cineastas, de diferentes partes do mundo, com um ponto em comum: a paixão pelo Rio de Janeiro. Receberam a missão de retratar sua ligação com a cidade em pequenas sequências que, juntas, formam o filme Rio, Eu Te Amo – o terceiro da franquia Cities of Love, que lançou Paris, Eu Te Amo (em 2006) e Nova York, Eu Te Amo (em 2008). A versão brasileira chega aos cinemas nesta quinta-feira, com a paisagem carioca de pano de fundo para dramas, romances, conflitos e superações. “É um Rio muito gostoso de assistir. São dez contos sobre a cidade, que trazem histórias muito pessoais de cada diretor – e todos tiveram liberdade total para fazer o seu recorte. O resultado é um filme leve”, destaca, ao site de VEJA, Andrucha Waddington, um dos brasileiros participantes do longa, que conta ainda com Carlos Saldanha, Fernando Meirelles e José Padilha. Entre os estrangeiros, estão o italiano Paolo Sorrentino, o australiano Stephan Elliott e a libanesa Nadine Labaki.

As filmagens começaram há pouco mais de um ano. Waddington escolheu o Centro da cidade, entre o emaranhado de prédios e o que ele chama de “floresta urbana”, para narrar a vida de Dona Fulana, uma moradora de rua. “Fiquei quatro meses sem saber que história contar, mas tinha essa guardada: ouvi falar de um cara que havia largado a família, tudo, porque estava de saco cheio de pagar conta, foi viver na rua e era muito feliz assim. Achei curioso, sair da convenção de morar como a sociedade diz que deve ser”, conta. Ele e sua equipe partiram, então, para a pesquisa de campo. Ou melhor, de rua. Entrevistaram mais de cem mendigos e descobriram que grande parte deles não queria voltar para a família, nem ir para abrigos ou ser reinserido na sociedade. “Encontramos alguns que foram morar na rua por opção, porque encheram o saco da vida como ela é, com todas as obrigações. E decidimos contar essa história com bom humor, pelo olhar de uma velha.”

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O passo seguinte, detalha o diretor, foi escolher a protagonista. “Eu queria escrever pensando na atriz. Liguei para a Fernanda, e contei sobre o recorte que queríamos fazer. Ela achou super interessante e aceitou na hora. A partir daí, fizemos o papel para ela.” A Fernanda em questão é a Montenegro, sogra de Waddington, que é casado e tem dois filhos com Fernanda Torres. “Claro que temos um laço afetivo, mas somos, antes de tudo, companheiros de trabalho, nos esforçando com toda a equipe para fazer o melhor possível”, ressalva, para em seguida apresentar melhor a personagem. Convicta sobre sua condição de sem-teto e feliz assim, Dona Fulana aparece no filme sendo acordada por um porteiro que lavava a escada onde ela dormia. Encharcada pela água suja que escorria dos degraus, passa o dia tentando tomar um banho. No meio do caminho, encontra o neto, que achava ela estava morta. Ele, então, se dedica a convencê-la a voltar para casa – e ela, a mostrar que cada um escolhe como quer ser feliz.

O escolhido para viver o neto Leandro foi Eduardo Sterblitch, conhecido por ser da turma do humorístico Pânico, que já havia trabalhado com Waddington em Os Penetras (2012). “Percebi nele um grande ator, com recursos infinitos e profundidade. Não só para fazer comédia, mas também drama, terror, o que quiser. Neste filme, ele foi super econômico, servindo o personagem da Fernanda o tempo inteiro”, elogia o cineasta. Quando Dona Fulana e Leandro se encontram, seus mundos entram em colisão, e eles precisam aprender a coexistir como avó e neto que se amam. “Os dois não se viam havia cinco anos. Ela tinha apagado a família toda do radar, e o encontro restabelece esse laço”, adianta Waddington, que leva o espectador de uma praça decadente na região central à exuberante paisagem do Horto. “Evitei cartões postais, a história não pedia isso. Mas o Rio tem essa caraterística: você pega um ônibus comum e o ponto final é na beira de uma cachoeira, dentro da floresta”, exemplifica o apaixonado confesso pela cidade. “O espírito do carioca é o que me encanta.”

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‘Dona Fulana’

Diretor: Andrucha Waddington

Com Fernanda Montenegro, Eduardo Sterblitch, Regina Casé, Stepan Nercessian

Locação: Praça Paris e Cachoeira do Horto

Dona Fulana mora na rua e na rua quer ficar. Ela nem dá ouvidos aos apelos de seu neto Leandro, que só a conheceu quando criança e acreditava que a avó tinha morrido, até vê-la na rua. Leandro tenta, em vão, convencê-la a voltar para casa, mas é Dona Fulana quem o conduz por uma jornada libertadora pelo Rio de Janeiro.

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‘La Fortuna’

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Diretor: Paolo Sorrentino

Com Emily Mortimer, Basil Hoffman

Locação: Joá e Praia de Grumari

Dorothy, uma ex-modelo, e James, seu marido, chegam ao Rio para passar férias em uma deslumbrante casa perto da praia. Cansado da atitude repressora da mulher, James contará com alguma perspicácia e a ajuda da sorte para resolver seu problema.

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‘A Musa’

Diretores: Fernando Meirelles e Cesar Charlone

Com Vincent Cassel, Deborah Nascimento

Locação: Praia de Copacabana

Zé faz esculturas na areia, reproduzindo obras mundialmente conhecidas. Até que uma jovem de passagem pelo calçadão o inspira a criar uma obra original.

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‘Acho que Estou Apaixonado’

Diretor: Stephan Elliott

Com Ryan Kwanten, Marcelo Serrado, Bebel Gilberto

Locação: Pão de Açúcar

Jai, um ator famoso, chega ao Festival do Rio para divulgar seu mais novo filme. Exausto, ele só pensa em chegar ao hotel para descansar, mas seu motorista, Celio, insiste em puxar conversa. Até que Jai se depara com o Pão de Açúcar, e sente-se compelido a escalar a montanha.

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‘Quando Não Há Mais Amor’

Diretor: John Turturro

Com John Turturro, Vanessa Paradis

Locação: Ilha de Paquetá

Um homem, uma mulher, uma casa em Paquetá. Uma história de amor que está chegando ao fim. Uma canção de despedida.

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‘Texas’

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Diretor: Guillermo Arriaga

Com Jason Isaacs, Land Vieira, Laura Neiva

Locação: Santa Teresa

Texas, lutador de boxe, perde um de seus braços em um acidente de carro. Sua mulher, Maria, uma linda modelo, que também estava no carro, não pode mais andar. Culpado, Texas está disposto a tudo para levantar o dinheiro necessário para a cirurgia que poderá curar Maria. O feito parece impossível, até ele encontrar Gringo, um estrangeiro que promove lutas clandestinas no Rio de Janeiro.

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‘O Vampiro do Rio’

Diretor: Im Sang Soo

Com Tonico Pereira, Roberta Rodrigues

Locação: Vidigal

A história de Fernando, garçom de um restaurante turístico, dono de um grande segredo, e sua paixão por Isabel, uma mulher sensual que, para sustentar a filha, trabalha como prostituta.

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‘Pas de Deux’

Diretor: Carlos Saldanha

Com Rodrigo Santoro, Bruna Linzmeyer

Locação: Theatro Municipal

Enquanto ensaia um novo espetáculo, um casal de bailarinos entra em crise. Ele recebeu um convite para dançar no exterior, mas hesita em aceitar a proposta, que colocará seu relacionamento em xeque. Faltando poucos minutos para entrar no palco, a discussão se agrava. A única saída é enfrentar o conflito com a dança.

Wagner Moura voa de asa delta em 'Inútil Paisagem' Wagner Moura voa de asa delta em ‘Inútil Paisagem’

Wagner Moura voa de asa delta em ‘Inútil Paisagem’ /


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‘O Milagre’

Diretora: Nadine Labaki

Com Nadine Labaki, Harvey Keitel, Cauã Salles

Locação: Estação Leopoldina

Dois atores de fama internacional, que participam de uma filmagem no Rio, esbarram com um menino que acredita receber telefonemas de Jesus. Logo eles vão entender que o tal “Jesus” não é bem quem o garoto está pensando.

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Transições (a passagem que une as histórias)

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Diretor: Vicente Amorim

Com Claudia Abreu, Michel Melamed, Marcio Garcia

Locação: Alto da Boa Vista, Lapa, Arpoador, Jóquei Clube, São Conrado e Centro

Confira o trailer oficial de Rio, Eu Te Amo:

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