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Rádios se recusam a tocar Michael Jackson após novas acusações de abuso

Estações de Austrália, Canadá e Nova Zelândia deixaram de executar o cantor na programação, por causa da repercussão do documentário 'Leaving Neverland'

Por AFP - Atualizado em 7 mar 2019, 17h02 - Publicado em 7 mar 2019, 15h32

Rádios de Austrália, Canadá e Nova Zelândia decidiram não tocar mais músicas de Michael Jackson, em reação às novas alegações de abuso sexual envolvendo o cantor. O grupo de rádio Nova Entertainment, de Sydney, foi o último a decidir, nesta quinta-feira, 7, vetar canções de Jackson.

“Dado o que está acontecendo no momento, SmoothFM não tocará mais nenhuma música de Michael Jackson”, disse Paul Jackson, diretor de programação da Nova, citado pela imprensa local.

A decisão foi tomada após o lançamento nos Estados Unidos do documentário Leaving Neverland, no qual dois homens acusam o artista de abuso sexual. O documentário ainda não foi exibido na Austrália.

Na Nova Zelândia, as músicas de Jackson quase não são mais ouvidas no rádio após a decisão dos grupos MediaWorks e NZME, os dois maiores, de não mais tocá-las. A rádio pública Radio NZ declarou, por sua vez, que as músicas de Michael Jackson não fazem parte de sua playlist.

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Na Grã-Bretanha, onde Leaving Neverland deve ir ao ar na quarta e quinta-feira, a BBC seguiu o exemplo de outras rádios e arquivou a música de Michael Jackson. Em comunicado, a BBC diz que considera “cada obra musical pela sua qualidade e as decisões sobre o que é emitido em diferentes rádios são sempre tomadas em consideração ao contexto e ao público”.

Nas plataformas digitais, porém, os trabalhos do músico parecem continuar a serem ouvidos. The Essentials of Michael Jackson permanece no 65º lugar dos mais baixados na Austrália.

Estátua

Além da repercussão negativa nas rádios, uma estátua de Jackson foi removida do Britain’s National Football Museum, museu dedicado ao futebol que fica em Manchester, na Inglaterra, nos últimos dias. A peça estava em exibição desde 2014.

“O National Football Museum fez algumas mudanças em suas exposições e objetos em exibição nos últimos meses. Como parte de nossos planos de melhor representar as histórias que queremos contar, decidimos remover a estátua de Michael Jackson de exposição”, disse uma porta-voz da instituição, não confirmando que a remoção estivesse relacionada com a exibição do documentário no país.

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A estátua foi inaugurada em 2011 no estádio Craven Cottage, em Londres, por Mohamed Al Fayed, então dono do time a que pertencia o local, o Fulham. Al Fayed era amigo de Jackson, que visitou o estádio como seu convidado em 1999. A peça foi retirada de lá pelo dono atual do time, Shahid Khan, quando ele assumiu o negócio, em 2013.

Estátua de Michael Jackson  Nick Potts/PA Images/Getty Images

Acusações

O documentário de quatro horas da HBO exibido no último final de semana nos Estados Unidos apresenta as histórias de dois homens que dizem que Michael Jackson, que morreu há quase uma década, abusou sexualmente deles quando eram menores de idade.

O documentário se concentra em James Safechuck, de 41 anos, e Wade Robson, de 36 anos. Eles afirmam que o cantor ganhou a confiança de suas famílias e os manipulou para manter os supostos abusos em segredo.

Robson, natural da Austrália e atualmente um renomado coreógrafo, conheceu Michael Jackson quando tinha 5 anos, depois de vencer uma competição de dança.

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Safechuk – que alega que os abusos contra ele começaram aos 10 anos, depois de participar de uma propaganda da Pepsi com Michael Jackson – afirma que o astro disse a ele que, se alguém descobrisse, suas vidas “acabariam”.

Esta não é a primeira vez que denúncias de abusos contra Jackson se tornam públicas. Em 1993, Jackson foi acusado de abusar de um menino de 13 anos. O caso foi encerrado com um acordo extrajudicial.

Em 2003, novas acusações vieram à tona em um julgamento dramático. Safechuk permaneceu à margem, mas Robson testemunhou em favor de Michael Jackson, que foi absolvido.

Os administradores do patrimônio de Michael Jackson defendem com veemência o cantor e processaram a HBO em 100 milhões de dólares por “assassinato póstumo” e asseguram que a companhia violou um acordo para não falar mal do músico, uma condição estabelecida para exibir um de seus shows.

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