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Querido no showbiz, Stan Lee também colecionava polêmicas

Criador de personagens como Homem-Aranha e Hulk se desentendeu com colega e se viu em confusão com cuidador

Stan Lee, morto nesta segunda-feira aos 95 anos, era um personagem querido no show business, mas também colecionava controvérsias. Entre elas, talvez a mais famosa tenha sido o desentendimento com um antigo colaborador, o artista Steve Ditko, em uma rixa digna de um embate de titãs do universo dos quadrinhos.

Lee idealizou o Homem-Aranha no começo da década de 1960, mas foi Ditko, morto em julho, aos 90 anos, o responsável pelos aspectos visuais do personagem, desenvolvendo seu uniforme e estabelecendo que suas cores seriam vermelho e azul. Lee também criou o Doutor Estranho em conjunto com ele, em 1963, e pouco depois Ditko deixou a Marvel.

Houve brigas entre a dupla, mas até hoje não se sabe ao certo os motivos do atrito. Especula-se que o artista estava frustrado com o fato de que Lee nem sempre reconhecia que ele havia ajudado na criação dos dois personagens e de questões envolvendo direitos autorais.

Em entrevista à revista americana Playboy em 2014, Lee afirmou: “Não quero que ninguém pense que eu tratei Ditko ou Jack Kirby (seu parceiro na criação de Quarteto Fantástico, Hulk, Homem de Ferro e X-Men — com quem também teve desentendimentos sobre direitos de personagens) de maneira injusta.

Acho que tínhamos um ótimo relacionamento. O talento deles era incrível. Mas as coisas que eles queriam não estavam nas minhas mãos”. Lee não tinha direitos sobre os personagens que ele ajudava a criar e, assim como os colegas, não recebia royalties.

Processo e vítima de abuso de idosos

Em maio de 2018, Lee abriu processo contra executivos da POW! Entertainment, empresa que havia fundado em 2001 para produzir filmes, séries de TV e jogos eletrônicos, vendida em 2017 para uma holding de Hong Kong. O processo, no valor de 1 bilhão de dólares, acusava a holding de fraude e dava a entender que Lee havia vendido a empresa sem ter lido ou entendido direito os documentos que estava assinando.

Na época da abertura do processo, Lee estava sob os cuidados do colecionador Keya Morgan, segundo a imprensa americana. Dois meses depois, o criador de quadrinhos desistiu da ação contra a holding. Quase ao mesmo tempo, Lee obteve uma ordem de restrição contra Morgan alegando que ele havia roubado 5 milhões de dólares dele. O pedido também afirmava que Morgan tentou impedir o contato de Lee com seus conselheiros financeiros e familiares para tentar controlar, ele mesmo, as finanças do quadrinista, cuja fortuna é estimada entre 50 e 70 milhões de dólares.

Uma reportagem da revista The Hollywood Reporter afirmou na época que a polícia de Los Angeles investigava se Lee havia sido vítima de abuso de idosos por parte de Morgan e de sua própria filha, J.C. Lee. Fontes ligadas ao americano afirmavam que sua saúde havia piorado e que ele sofria de problemas de vista, ouvido e memória. Depois da repercussão da reportagem, o criador do Homem-Aranha chegou a gravar um vídeo dizendo que estava “furioso” com as notícias, que ele afirmava serem falsas. Meses depois, porém, ele obteve a ordem de restrição contra Morgan.

Assédio

Stan Lee chegou a ser acusado, mais de uma vez, de assédio sexual. Em janeiro, jovens enfermeiras que trabalharam com ele, em sua casa, afirmaram que o quadrinista costumava andar nu pela residência em Los Angeles e que, diversas vezes, foram apalpadas por ele.

Em abril, ele voltou a ser acusado, desta vez por uma massagista. Ela afirmava que Lee a havia tocado inapropriadamente e apresentado má conduta durante sessões em um evento em abril de 2017 em Chicago. A massagista disse que Lee se desculpou por meio de sua empresa, e ela voltou para uma segunda sessão de massagem no dia seguinte, durante a qual empregou uma técnica em que se usam os pés em vez das mãos. Nesse momento, Lee teria aproximado seus pés dos genitais da massagista.

As acusações foram negadas, nos dois casos, por advogados de Lee.