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Queda da produção em Hollywood alarma prefeito de Los Angeles

Os altos custos de produção para as filmagens na cidade tem afastado as produtoras, que trocam Hollywood por cidades com incentivos fiscais

O recém-empossado prefeito de Los Angeles, Eric Garcetti, está alarmado com a queda do número de produções cinematográficas e televisivas feitas nos últimos anos na cidade californiana. Em matéria que estampa a capa da edição desta semana da revista Variety, Garcetti afirma que o principal polo do cinema dos Estados Unidos está perdendo como sede e cenário para outras cidades de dentro e de fora do país, que oferecem benefícios fiscais mais atraentes e cobram uma taxa menor para receber as filmagens.

De acordo com a revista, a participação do estado da Califórnia — onde fica Hollywood — nas produções de cinema e televisão caiu de 68% para 59% entre 2004 e 2011. Quando se tomam apenas as séries de TV, a queda é mais brusca: as produções recuam de 89% para 37% entre 2005 e 2012. Esse declínio representou a perda de aproximadamente 90.000 empregos e 3 bilhões de dólares em salários.

Um dos motivos seria o aumento dos custos de produção na cidade, que culmina com a era das franquias. Filmes como Jogos Vorazes, Os Vingadores e Homem-Aranha, entre outros que possuem uma sequência, tendem a ser filmados em outras regiões, visando o menor custo de produção possível. “Nós perdemos os blockbusters, eles não são mais filmados aqui. Os incentivos tributários ao redor do país e do mundo os levaram para longe”, afirmou o prefeito.

Uma das cidades que estaria “roubando” os blockbusters de Los Angeles é Nova York. Uma parceria selada entre o prefeito Michael Bloomberg e Katherine Oliver, responsável pelas produções de entretenimento local, ajudou a impulsionar o mercado cinematográfico, o que acabou atraindo os grandes estúdios e cineastas a realizar as produções na metrópole. Os Vingadores e O Espetacular Homem-Aranha 2 são alguns exemplos de filmes que foram inteiramente gravados no estado da costa leste americana. Além disso, o programa de incentivo do governo de Nova York, que chega à cifra de 420 milhões de dólares anuais, nem se compara ao tímido investimento californiano, de cerca de 100 milhões de dólares totais. Sem contar que esses programas de incentivo são disponibilizados apenas para produções com custo acima de 75 milhões de dólares.

Para fazer com que Los Angeles volte a ser conhecida como a capital do entretenimento, Eric Garcetti deverá remover os limites de incentivos fiscais, além de contratar um representante do meio cinematográfico para, em parceria com ele, impulsionar novamente as produções na cidade, assim como aconteceu em Nova York. No entanto, a reportagem da Variety adverte que esse processo deve ser concluído da maneira mais rápida possível. “Quanto mais as produções ocorrerem em outras cidades, maior será a procura por essas locações. Los Angeles não corre apenas o risco de perder as produções por algum tempo, mas sim, permanentemente”, diz o texto.