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Quadro de Portinari é levado de museu em Olinda

Para chefe do MAC-PE, tela pode valer até 1,5 milhão de reais

Por Maria Carolina Maia - 15 jul 2010, 16h53

Em atividade numa antiga prisão eclesiástica, dos idos da Inquisição, o Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC-PE) tem apenas duas portas e suas janelas são, até hoje, forradas de grades. As poucas saídas não impediram, no entanto, que o quadro Enterro, do pintor Cândido Portinari, fosse levado do museu nesta quarta-feira. “A casa sofre com o ataque de morcegos, por isso, à noite, cobrimos suas costas com um tapume, que passa o dia encostado. Quando o vigilante foi fechar o museu, por volta das 17h30, encontrou uma moldura pendurada no tapume”, conta Célia Labanca, chefe do MAC-PE. “Era a moldura do quadro de Portinari.” A tela havia sido furtada.

O vigilante que encontrou a moldura já prestou depoimento. De acordo com Célia, 17 pessoas assinaram o livro de visitas do museu, nesta quarta-feira, e também devem ser ouvidas pela polícia, que até o momento não tem pistas de quem tenha cometido o crime. “Pode ter sido qualquer um. Esse quadro é bastante conhecido e valorizado por ser da série Azul de Portinari, feita de poucas obras”, diz Célia. Segundo a chefe do MAC-PE, há oito anos Enterro (1959, 24 cm x 33 cm) foi avaliado em 600.000 reais. “Hoje, acredito que ele valha entre 800.000 e 1,5 milhão de reais”, afirma, sem perder o bom humor. “Com esse babado do furto, deve estar valendo ainda mais.”

O Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC - PE), em Olinda O Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC – PE), em Olinda

O Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC – PE), em Olinda /

Enquanto aguarda a investigação da polícia, Célia diz que vai pedir à Fundação do Patrimônio Artístico e Cultural do Estado de Pernambuco, ligada à Secretaria de Educação estadual, um reforço na segurança do museu. Nesta quinta-feira, o MAC-PE está fechado para visitas. O edifício onde ele está instalado data de 1765. Além de prisão eclesiástica – a única de que se tem notícia no Brasil -, o local serviu de prisão para presos comuns, em Olinda. O MAC-PE foi criado em 1966, após a doação de parte da coleção de Assis Chateaubriand ao governo pernambucano.

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