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Primeira coleção da Dior pós-Galliano fica aquém do esperado

A tão aguardada primeira coleção de Raf Simons para a Dior, apresentada nesta segunda-feira na semana de moda de Paris, ficou abaixo do esperado pela crítica. Cercado de expectativas por suceder o britânico John Galliano, que embora controverso criou peças memoráveis, o estilista belga apresentou um conjunto de roupas femininas e elegantes, mas sem o fator experimental que caracterizava o seu antecessor.

O desfile sóbrio do jovem Simons recebeu aplausos, mas não provocou a euforia típica dos desfiles de Galliano, demitido em março de 2011 por proferir injúrias antissemitas em um bar de Paris. Vestidos curtos usados sobre calças cigarrete, casaco de astracã azul, vestidos de festa longos, inspirados nos arquivos da Dior, e roupas para as ruas: a passarela de Simons foi clássica, quase austera, para refletir a vida atual, com poucos toques de opulência.

A coleção outono/inverno do belga, conhecido como “Raf” no mundo da moda, foi principalmente uma homenagem a Christian Dior, fundador da marca francesa, joia do grupo de luxo LVMH, de Bernard Arnault. Em quase todas as 54 peças apresentadas, houve alguma referência aos primeiros modelos da grife, desenhados por Dior, que entrou para a história da moda por seus traços arquitetônicos e limpos.

Raf Simons para a Dior Raf Simons para a Dior

Raf Simons para a Dior (/)

O desfile de Simons para a Dior — que aconteceu em um hotel parisiense e atraiu celebridades e estilistas, entre eles Alber Elbaz, da Lanvin, e Marc Jacobs, da Vuitton — foi encerrado com vestidos longos de organza e tule, bordados com flores delicadas.

O estilista Pierre Cardin, 90 anos, elogiou a coleção, assinalando que o criador belga, muito jovem, respeitou a marca. “Mas, com o tempo, será necessário que Simons seja ele mesmo. Se quiser ser um grande estilista, terá que reconhecer que é ele que está na passarela”, pontuou.

Esta foi a primeira coleção de alta-costura desenhada por Simons, ex-estilista da marca Jil Sanders, conhecido em Paris pela moda masculina vanguardista que assina e à qual dará continuidade, paralelamente às suas responsabilidades como diretor artístico da Dior.

(Com agência France-Presse)