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Presidente da Academia promete mudanças em busca de diversidade no Oscar

Cheryl Boone Isaacs voltou a lamentar a ausência de negros entre indicados da premiação em 2016

A presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, Cheryl Boone Isaacs, se declarou “frustrada” com a falta de diversidade étnica entre os indicados ao Oscar 2016, depois que várias personalidades protestaram porque apenas atores brancos disputam o prêmio este ano. Cheryl já havia se manifestado sobre o caso logo após a lista de indicações ser divulgada. “É claro que estou decepcionada”, disse ela na ocasião ao site Deadline. “Você nunca sabe o que vai aparecer no papel até você vê-lo”.

Agora, a presidente divulgou um comunicado, em que diz estar de “coração partido e frustrada com a falta de inclusão” de atrizes e atores negros na lista de indicados ao Oscar, que terá os vencedores anunciados em 28 de fevereiro, apesar de considerar importante reconhecer o valor do trabalho dos que estão concorrendo.

“A Academia está tomando medidas dramáticas para alterar a formação dos nossos membros. Nos dias que virão, nós vamos realizar uma revisão dos nossos membros, em ordem de trazer uma mais que necessária mudança na diversidade da nossa turma de 2016 em diante”, escreveu no comunicado. “Como muitos de vocês sabem, nós temos implementado mudanças para diversificar nossos membros nos últimos quatro anos. Mas as mudanças não estão chegando na velocidade que desejamos.”

Atualmente, a Academia de Hollywood é constituída por 6.000 membros, sendo 94% brancos e a maioria homens, enquanto os negros e latinos representam cerca de 2%, segundo o jornal Los Angeles Times.

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Desde que assumiu a presidência da Academia em 2013, Cheryl, que é a primeira negra a ocupar o cargo, estimula a diversidade. “Devemos fazer mais, melhor e mais rápido”, disse sobre as alterações. “Isso não é novo para a Academia. Nos anos 1960 e 70 precisamos recrutar jovens membros para continuar fortes e relevantes. Em 2016, o obrigatório é a inclusão em todas as suas facetas: gênero, raça, etnia e orientação sexual. Nós reconhecemos as preocupações da nossa comunidade, e eu agradeço a todos vocês que me procuraram nesse nosso esforço de seguir em frente.”

O comunicado de Cheryl acontece um dia depois do cineasta Spike Lee, que já foi indicado duas vezes ao Oscar, anunciar que vai boicotar a premiação, que pelo segundo ano consecutivo tem apenas brancos nas categorias de interpretação. “Como é possível que, pelo segundo ano consecutivo, os vinte aspirantes das categorias de atuação (protagonistas e coadjuvantes) sejam todos brancos? E isso sem falar nas outras categorias. Quarenta atores em dois anos e nada. Não somos bons atores?”, escreveu Lee em uma carta aberta publicada no Instagram.

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Em uma atitude separada, a atriz Jada Pinkett Smith (esposa de Will Smith) anunciou em um vídeo que também não assistirá à premiação. “Implorar reconhecimento ou inclusive pedir nos tira dignidade e poder, e nós somos um povo digno e poderoso”, afirmou.

(Da redação com agência France-Presse)