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Prado e Louvre juntos para iluminar ‘O último Rafael’

Os museus do Prado e do Louvre uniram suas forças para realizar “O último Rafael”, a primeira exposição que aprofunda a última etapa deste pintor renascentista e que poderá ser apreciada no Museu do Prado de Madri de 12 de junho a 16 de setembro.

Rafael “é o artista que melhor representa os ideais do Renascimento”, afirmou nesta sexta-feira o diretor da pinacoteca madrilenha, Miguel Zugaza, na apresentação da mostra.

“É um dos projetos de pesquisa, restauração e exposição mais complexos dos últimos anos”, acrescentou Zugaza, insistindo que a exibição apresenta ao público “um enorme número de obras tardias” do artista.

A exposição tenta por ordem em um “período pouco compreendido do pintor”, segundo Tom Henry, um dos curadores da exposição, já que seus quadros dessa época apresentam problemas de cronologia e ele não trabalhou sozinho, o que torna difícil às vezes separar sua obra da de seus pupilos, em especial Giulio Romano e Gianfresco Penni.

De fato, a exposição cobre uma trajetória que vai de 1513, “quando Rafael trabalhou em Roma por cinco anos decorando os monumentais aposentos do Vaticano junto com outros importantes artistas italianos, como Miquelangelo”, a 1524, quatro anos depois da morte do mestre, para incluir na mostra parte da obra realizada por seus pupilos.

A exposição, a primeira feita sobre o período tardio do pintor, permitiu reunir 44 pinturas, 28 desenhos, uma peça arqueológica e um tapete, procedentes de 40 instituições diferentes, incluindo o Louvre e o Prado.

“O Louvre e o Prado reúnem um conjunto grandioso” de obras do pintor, afirmou Miguel Falomir, chefe do Departamento de Pintura Italiana e Francesa (até 1700) do Prado, que há cinco anos teve a ideia de realizar esta exposição.

A mostra será dividida em âmbitos temáticos como os quadros de altar, Virgens e Sagradas Famílias de grande formato, Virgens e Sagradas Famílias de pequeno formato e retratos, assim como um setor dedicado ao seu pupilo Giulio Romano e outro à “Transfiguração”, quadro que está nos Museus Vaticanos.

A “Transfiguração” exibida em Madri é uma cópia feita pelo ateliê do próprio Rafael, que chegou à Espanha no século XVII.

Além disso, entre as obras expostas destacam-se criações como “A pérola” ou “A Sagrada Família de Francisco I”, junto com retratos como o de “Baldassare Castiglione”, amigo do pintor, que poderá ser apreciado pela primeira vez na Espanha.

“É uma forma de saldar uma dívida pendente com Rafael”, disse Falomir, que lembrou que “quando o Museu do Prado abriu suas portas em 1819, Rafael era a grande estrela” até que no final os gostos mudaram e Velázquez superou o pintor renascentista.

A exposição será inaugurada na segunda-feira pela rainha Sofía, antes de sua abertura ao público, na terça-feira.