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Possíveis rastros de obra de Leonardo da Vinci são encontrados na Itália

Roma, 12 mar (EFE).- Rastros de pigmentos encontrados em uma parede falsa do Palazzo Vecchio, atual sede da prefeitura de Florença, podem pertencer a um afresco perdido de Leonardo da Vinci, intitulado ‘A Batalha de Anghiari’, informou nesta segunda-feira uma equipe de pesquisadores italianos.

Em entrevista coletiva, realizada nesta segunda-feira, Maurizio Seracini, o diretor da pesquisa, confirmou diante da imprensa italiana que acredita que o achado pode provir da anterior obra perdida do gênio renascentista, datada nos primeiros anos do século XVI.

Segundo Seracini, que trabalha neste estudo a mais de 30 anos, a tinta negra achada em uma parede falsa no Salão dos Quinhentos tem uma composição química compatível com a usada pelo gênio renascentista nas obras ‘Monalisa’ e ‘São João Batista’, ambas no Museu do Louvre de Paris.

‘Apesar de estarmos em uma fase preliminar de investigação, as provas demonstram que estamos procurando no lugar adequado’, disse o investigador.

O mistério sobre o paradeiro do afresco de Leonardo se inicia a partir de 1560, várias décadas depois da realização obra. O afresco ‘A Batalha de Anghiari’ foi iniciado em 1503, quando o pintor e arquiteto toscano Giorgio Vasari (1511-1574) receberam a encomenda de reestruturar o Salão dos Quinhentos do Palazzo Vecchio.

A partir daí começam as versões sobre o que Vasari teria feito com o afresco de Da Vinci, que tinha problemas de conservação pela técnica que tinha sido aplicada em sua elaboração. A obra, que possui muitas representações, chegou a ser exposta durante anos nessa sala.

Em 2007, Seracini obteve a autorização do Governo italiano para realizar uma prospecção da pintura de Vasari. Levado por uma inscrição na obra ‘Batalha de Marciano’, o pesquisador suspeitava que o afresco de Leonardo da Vinci poderia estar na mesma sala.

Nessa inscrição, um soldado florentino da pintura de Vasari movimenta um estandarte com as palavras ‘Cerca trova’ (‘O que procura encontra’), algo interpretado pelo investigador como uma pista deixada pelo arquiteto, que, como admirador do trabalho de Leonardo, teria tentado conservar a obra.

A equipe de investigadores encontrou esses rastros com o auxilio de uma espécie de radar, que revelou um vazio entre o afresco de Vasari e o muro posterior, e microcamêras, introduzidas através de seis pequenos orifícios presentes na parede falsa. As imagens revelaram uma camada bege que só poderia ter sido pintada com pincel.

Além dos restos de pigmento e da camada bege, os pesquisadores também localizaram vários fragmentos de material vermelho, que se pode associar a uma tinta dessa cor, cuja presença é muito improvável na construção de uma parede normal.

A pesquisa desta obra prima, que segundo alguns especialistas era uma das mais significativas de Da Vinci, é ‘uma iniciativa muito importante’ para a National Geographic Society, afirma em comunicado Terry García, o vice-presidente executivo dessa sociedade.

A equipe de Seracini trabalha nesta investigação com o apoio da National Geographic, da Universidade de San Diego e da Prefeitura de Florença, entre outras instituições. EFE