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Políticos, familiares e fãs se despedem de Suassuna

Presidente Dilma Rousseff participou do velório do escritor ao lado de seu adversário Eduardo Campos. Os cineasta Guel Arraes e Luiz Fernando Carvalho também prestaram sua última homenagem

(Atualizado às 18h50)

Depois de ter sido velado por 18 horas, o escritor e dramaturgo Ariano Suassuna foi sepultado no fim da tarde desta quinta-feira em Paulista, no Grande Recife. O corpo foi levado ao local em um caminhão dos Bombeiros e recebido com uma homenagem da Associação Cultural da Pedra do Reino, de São José do Belmonte, no sertão pernambucano, que repetiu um antigo ritual para receber o escritor. Vestidos de cavaleiros medievais, duas filas cruzaram suas lanças para que Suassuna passasse por baixo. A cena é uma repetição de como o escritor era recebido durante a tradicional cavalgada de São José do Belmonte, cidade que abriga a Pedra do Reino, que deu título à obra de Ariano Suassuna.

Nos minutos que antecederam o sepultamento, os netos de Suassuna leram poemas e lembraram os momentos marcantes da vida do escritor. Ao final da cerimônia, que durou cerca de meia hora, Suassuna foi homenageado com a entoada da canção Madeira de Rosarinho e com uma salva de palmas. Participaram do enterro familiares e políticos locais, entre eles o prefeito do Recife, Geraldo Julio, Eduardo Campos, e o governador João Lyra Neto. Também esteve presente na cerimônia o presidente da Academia Brasileira de Letras, Geraldo Cavalcanti. O enterro foi realizado no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife.

Suassuna foi velado desde a noite de quarta-feira no Palácio do Campo das Princesas, no Recife. A movimentação foi grande no período da noite e da madrugada, quando os familiares e amigos mais próximos, como o ex-governador e candidato à Presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, sua esposa, Renata Campos, sobrinha do escritor, e o atual governador de Pernambuco, João Lyra Neto (PSB), compareceram ao local para se despedir do autor.

No fim do velório, a presidente Dilma Rousseff também chegou ao Palácio para prestar sua última homenagem. A mandatária não se pronunciou durante a visita e ao final cumprimentou Campos, seu adversário, com dois beijos no rosto, poucos segundos antes de deixar o local em direção ao aeroporto.

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Durante a manhã desta quinta-feira, fãs do escritor, das mais variadas classes sociais, compareceram ao local, entre eles o sertanejo Jackson de Almeida, 33 anos, que chegou envolto na bandeira de Pernambuco. “Serei sempre seu discípulo”, declarou Almeida.

O cineasta Guel Arraes, responsável pela direção de O Auto da Compadecida, obra de Suassuna, para a TV e cinema, chegou ao velório por volta das 10h e também prestou homenagem ao autor. “O Brasil fica mais triste, poucas pessoas têm a dimensão de escritor, professor e pensador de Suassuna. Era um grande humanista e cidadão. Foi um homem que viveu de acordo com suas ideias.”

O caixão de Suassuna foi decorado com quatro bandeiras, que representam as paixões do escritor. São elas as bandeiras do Brasil, de Pernambuco, do time de futebol Sport e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPe), onde lecionou por 38 anos. Enquanto isso, coroas de flores chegam ao Palácio com frequência.

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As filhas do escritor Maria, Ana Rita, Isabel e Mariana Suassuna, e a viúva, Zelia, acompanharam a maior parte do velório. “O João Grilo cumpriu sua sentença, ele era um homem sonhador, esperançoso e que lutava pela justiça social do Brasil. Este é o legado que ele deixa. O céu está em festa, tenho certeza”, diz Ana Rita.

Às 11h, deu-se início à missa, ministrada pelo arcebispo da Arquidiocese do Recife, Dom Fernando Saburido. O clima de tristeza foi quebrado diversas vezes ao longo da tarde por cantorias, estandartes e maracatu. Aos poucos, fãs chegavam com bandeiras e instrumentos musicais para entoar um canto ao ídolo. Um estandarte do Galo da Madrugada, tradicional bloco carnavalesco do Recife, que estampava o nome de Suassuna, homenageado deste ano pelo grupo, foi desfilado no interior do Palácio, assim como um boneco gigante do escritor. Um grito de guerra do Sport Clube do Recife, pelo qual Ariano era fanático, também foi entoado pelos fãs nos minutos finais do velório.

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