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Peter Handke: 3 filmes essenciais do Nobel de Literatura 2019

Autor prolífico na literatura, o controverso laureado tem uma interessante carreira no cinema, como roteirista e diretor

Nascido em 1942 na região de Kärnten, no sul da Áustria, o roteirista, escritor e cineasta Peter Handke, 76 anos, foi anunciado na manhã desta quinta-feira 10 como vencedor do Nobel de Literatura 2019, ao lado da escritora polonesa Olga Tokarczuk. 

A Alemanha é o cenário favorito dos romances do autor, que hoje mora na França (mais precisamente em Chaville, um subúrbio de Paris). Figura controversa, Handke é aclamado por sua literatura e roteiros de filmes humanistas, mas, ao mesmo tempo, foi próximo do ex-presidente sérvio Slobodan Milosevic, acusado de genocídio e condenado em Haia por crimes de guerra. O escritor compareceu ao julgamento e, em 2006, foi criticado por discursar no velório do homem conhecido como “Carniceiro dos Balcãs”.

Handke cultivou outra amizade mais amena: foi parceiro fiel do cineasta Wim Wenders, com quem dividiu a criação do roteiro de diversos filmes, entre eles o cultuado Asas do Desejo (1987). Confira abaixo as obras essenciais de Handke no cinema:

 

O ganhador do Nobel, Peter Handke com o amigo e parceiro de cinema, Wim Wenders O ganhador do Nobel, Peter Handke com o amigo e parceiro de cinema Wim Wenders

O ganhador do Nobel, Peter Handke com o amigo e parceiro de cinema Wim Wenders (Manfred Schmid / Colaborador/Getty Images)

 

 

 

Movimento em Falso (1975)

Segunda parte da trilogia dos “filmes de estrada” do diretor Wim Wenders – os outros dois, Alice nas Cidades e No Decurso do Tempo, também têm assinatura de Handke no roteiro. O longa conta a história do escritor Wilhelm (Rüdiger Vogler), um misantropo expulso de casa pela mãe. Durante uma viagem de trem, o protagonista reflete sobre a vida ao conhecer personagens variados, como uma menina muda e seu avô, e um antigo atleta olímpico.


A Mulher Canhota (1978)

Aqui, a parceria com Wim Wenders se inverte: o cineasta assina o roteiro e Handke, a direção do filme – adaptação do seu romance homônimo. A trama acompanha a história de Marianne ( Edith Clever), uma mulher de 30 anos que se separa do marido e empreende uma viagem solitária em busca de sua independência e identidade. A produção ainda conta com a presença de Bruno Ganz, ator que formava uma interessante tríade com Wenders e o escritor.


Asas do Desejo (1987)

Para certa juventude que cresceu entre o final dos anos 80 e início dos 90, tecer altos papos sobre Asas do Desejo era quase um atestado de inteligência e sensibilidade. O filme se passa em uma Berlim ainda separada pelo notório Muro que dividia os lados comunista e capitalista da cidade – e, na viagem poética de Wenders e Handke. também as dores, sentimentos e aflições humanas. Dois anjos, Damiel (Bruno Ganz) e Cassiel (Otto sander), assistem às desventuras terrestres e velam pelas almas perdidas. Tudo muda quando Damiel se apaixona por uma humana, a trapezista Marion (Solveig Dommartin). Peter Handke foi roteirista da obra que deu a Wim Wenders o prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes em 1987. A produção ainda rendeu um fruto demasiadamente açucarado em Hollywood: Cidade dos Anjos (1998), com Nicolas Cage e Meg Ryan.