Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Pesquisadora britânica revela que era garota de programa e blogueira

Imprensa britânica publica foto de Brooke MagnantiA ex-prostituta britânica ‘Belle de Jour’, cujos livros de memórias foram convertidos num seriado de televisão na Grã-Bretanha, revelou sua verdadeira identidade: Brooke Magnanti, uma pesquisadora.

Magnanti disse ao jornal britânico The Sunday Times que escolheu o pseudônimo ‘Belle de Jour’ (bela da tarde) para descrever os encontros que teve como garota de programa de alto nível. Segundo ela, a opção de tornar-se prostituta teve como objetivo juntar dinheiro para financiar seu doutorado.

Ela começou a detalhar sua vida secreta em um blog a partir de 2003. Algum tempo depois, escreveu o livro The Intimate Adventures of a London Call Girl (As aventuras íntimas de uma garota de programa de Londres), que se tornou um best-seller. Magnanti, então, lançou mais dois livros. O sucesso das obras inspirou a série Secret Diary of a Call Girl, estrelada por Billie Piper e exibida em 25 países.

Apesar das muitas tentativas de descobrir sua verdadeira identidade e de muitas dúvidas quanto à veracidade de suas memórias, ‘Belle de Jour’ permaneceu anônima até que Magnanti, 34 anos, decidiu que chegara a hora de se desmascarar, dizendo que o anonimato “deixou de ser divertido”.

“Sinto-me bem melhor estando deste lado. Não preciso mentir ou esconder coisas das pessoas que amo. Posso defender diante de todos os céticos o que foi realmente minha experiência de trabalhadora sexual”, escreveu ela em seu blog no domingo.

“O anonimato teve uma finalidade na época. É algo que sempre terá razão de existir para escritores cuja obra é demasiado controversa para que possam associar seu nome a ela. Mas, para mim, tornou-se importante reconhecer esse aspecto de minha vida e minha personalidade diante do mundo.”

Personagem – O pseudônimo da pesquisadora foi retirado do título de um filme de 1967 do cineasta espanhol Luis Buñuel, em que a atriz francesa Catherine Deneuve fazia o papel de uma mulher casada que passava as tardes se prostituindo.

Magnanti vive em Bristol, no sudoeste da Inglaterra, é pesquisadora do Hospital St. Michael’s e empregada pela Universidade de Bristol como especialista em neurotoxicologia do desenvolvimento e epidemiologia oncológica.

Ela disse que durante 14 meses, começando em 2003, trabalhou como prostituta, cobrando 300 libras (500 dólares) por hora, para uma agência de escorts, mas que não tem arrependimentos sobre aquela época. Falou que se sente pior “sobre meus escritos do que jamais me senti por fazer sexo por dinheiro”.

Um comunicado divulgado no site da editora britânica Orion Books, que publica os livros de ‘Belle de Jour’, diz: “Foi uma decisão corajosa de ‘Belle de Jour’ revelar sua verdadeira identidade, e apoiamos sua decisão de fazê-lo.”

“Publicamos seus textos desde 2005 e esperamos levar essa relação adiante”, disse o editor da empresa, acrescentando que Belle não dará mais entrevistas.

Um representante da Universidade de Bristol, para a qual Magnanti trabalha, disse ao Sunday Times: “Esse aspecto do passado dela não tem relevância para o papel que ela desempenha atualmente na universidade.”

(Com agência Reuters)