Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Paulo José levará Mal de Parkinson à próxima novela das 9

Doença será abordada na trama de Manoel Carlos, 'Em Família', que substituirá 'Amor à Vida'

Há alguns meses, o autor Manoel Carlos perguntou a Paulo José se ele toparia entrar na próxima novela das nove na Globo, Em Família, para colocar em pauta uma delicada reflexão sobre o Mal de Parkinson. “Sim”, respondeu, solícito, o ator e diretor que vem convivendo com a doença nos últimos vinte de seus 76 anos.

Substituta de ‘Amor à Vida’ estreia em fevereiro de 2014

‘Amor à Vida’ antecipa trama de Manoel Carlos

Passos curtos, voz de timbre baixinho – mas não tímida -, Paulo vai logo explicando que sua eloquência não está nos melhores dias. Ele conta que acabou de fazer uma sessão de relaxamento e isso não conspira a favor da voz. E surpreende quando brinca que deveria dar entrevista cantando – e de fato canta -, escancarando uma voz que parecia oculta.

Também avisa, de início, que não gosta de dar entrevistas. Fica tenso, o que não acontece quando recita seus poemas, quando canta ou interpreta um texto decorado. Mesmo assim, concordou em receber a reportagem em sua casa no alto da Gávea, onde vive cercado de livros – muitos livros -, cachorros, gatos e pelo menos dez pessoas que circulam por ali diariamente, entre os filhos, a mulher, Kika Lopes, e alguns poucos amigos.

Há ainda os terapeutas, que se encarregam de uma rigorosa agenda de atividades. Faz fisioterapia duas vezes ao dia, tem aulas de voz três vezes na semana, faz natação, toca piano para exercitar os dedos, faz fonoaudiologia às quintas e terapia corporal às terças. “E tomo remédios, muitos, cinco vezes ao dia”, conta.

Depois das aulas de canto, grava poemas num estúdio que mantém em casa, o que vai render um audiobook. Fala que tem se dedicado muito a escrever. Como sempre lhe perguntam como lida com a doença, resolveu escrever um depoimento em primeira pessoa, relatando altos e baixos vividos nesses vinte anos. “Isso tudo faz parte da minha luta diária para manter o Parkinson como um coadjuvante. Um coadjuvante de peso, mas nunca um protagonista.”

(Com Estadão Conteúdo)