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Paulo Gustavo rouba cena em ‘Os Homens são de Marte…’

Ator interpreta Aníbal, melhor amigo e sócio da protagonista Fernanda, vivida por Mônica Martelli, dona do texto que sai do sucesso do teatro para o cinema

Fernanda é o tipo de mulher que, minutos depois de conhecer um homem, já consegue imaginar o futuro dos dois juntos – do casamento aos filhos. Ele diz “a gente se vê”, e ela entende “vamos sair esta noite e todas as próximas das nossas vidas”. Outro comenta “um dia vou te levar para a Patagônia”, e Fernanda conclui: “Estou namorando”. Ela sonha alto, e quase sempre o tombo é grande. Aos vinte e poucos anos, quando você ainda tem todo o tempo do mundo, é só sacudir a poeira e partir para outra. Mas aos 39 – idade da protagonista – o desespero bate à porta. “Não tenho mais idade para ser solteira, eu já tenho idade para estar em um casamento em crise”, comenta com Aníbal, sócio e melhor amigo. O filme Os Homens são de Marte… e é pra lá que eu vou, que estreia nesta quinta-feira, gira em torno de todas as idealizações amorosas da empresária interpretada por Mônica Martelli, que parte do público já conhece dos palcos do teatro.

A história de Fernanda é divertida. Mas é Aníbal, vivido por Paulo Gustavo, quem faz o ingresso valer a pena, com a dose de comédia que, se dependesse apenas dela, se resumiria a um romance. Mesmo sem inovar muito em relação a personagens já consagrados, como em Minha Mãe é uma Peça e Vai Que Cola, o ator consegue arrancar gargalhadas. Aníbal é o amigo gay sincero, que não mede esforços para trazer Fernanda de volta à realidade quando é preciso – e sempre é preciso. Quando pede a senha do computador dela e ouve “mulher amada”, não se contêm: “Tem que atualizar, né? Botar ‘mulher largada’, no caso”.

Paulo e Mônica são amigos na vida real, o que explica a química em cena. Ele diz que era como se os dois tivessem tomando um café juntos, e aponta a filmagem no aeroporto (que aparece no trailer) como uma das mais engraçadas – eles tinham dez minutos para gravar tudo e não podiam errar. Na cena, Fernanda passa um creme “caríssimo” no rosto, e os amigos Aníbal e Nathalie (Daniele Valente) resolvem experimentar também. Imediatamente os três começam a ter reações. “Está pinicando”, grita Nathalie. “Não posso ficar vermelha, tenho um encontro hoje à noite”, teme Fernanda. “Pelo amor de Deus, gente, eu também fecho glote devido à homossexualidade”, arremata Aníbal, pouco antes de o grupo sair correndo para o banheiro. Ele ainda tenta entrar no feminino: “Ah, não faz diferença numa hora dessas! O masculino vai estar podre!”

Inspiração – A reprodução da amizade na tela só reforça o tom biográfico do longa. “Fernanda foi inspirada em mim”, repete sempre Mônica Martelli, dona do texto que vem de um sucesso de nove anos no teatro. A irmã, que assina com ela o roteiro da adaptação para o cinema e a codireção, era a primeira a ser apresentada ao novo candidato a amor da sua vida. “Ninguém, além de mim, conhece melhor essa personagem. Cada homem que eu trazia, dizia: ‘Susana, realmente é ele, estou apaixonada e sinto que dessa vez é diferente'”, contou ela, em vídeo publicado no perfil do filme no Facebook. É exatamente este o discurso que Fernanda reproduz no filme para os dois inseparáveis amigos.

Apesar das constantes desilusões, a empresária é otimista, e vive repetindo mantras, como “você tem vocação para ser feliz” e “não era para ser”, quando mais um relacionamento termina. Ao menos a lista de conquistas vale a pena: Humberto Martins, Marcos Palmeira, Eduardo Moscovis e o alemão Peter Ketnath – sem contar os flertes fracassados com Herson Capri e Milhem Cortaz. Claramente, alguém lhe ensinou que o cabelo é a arma secreta para seduzir um pretendente, o que a levou a desenvolver um tique. Lulu Santos faz uma participação belíssima e Irene Ravache está particularmente hilária. O diretor é Marcus Baldini, que fez também Bruna Surfistinha.