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Parece um desfile de moda, mas é o divertido ‘O Agente da U.N.C.L.E’

Novo filme de Guy Ritchie traz espiões elegantes e tiradas irônicas em releitura de série dos anos 1960

Por Raquel Carneiro - 3 set 2015, 10h02

Perseguições em alta-velocidade, gadgets exclusivos, homens elegantes, mulheres sexy, vilões psicopatas e fugas absurdas. A lista de clichês usados em filmes de espiões é longa e, convenha-se, cativante. É ela, afinal, que continua a sustentar sucessos como as franquias Bourne, Missão Impossível e o inefável cinquentão James Bond. Porém, se o sobrenome do protagonista não é dos mais famosos, os chavões demandam uma direção criativa musculosa para fazer com que o filme não se perca entre os muitos outros de sua estirpe.

Matthew Vaughn com seu Kingsman: Serviço Secreto é um dos recentes cineastas que foi além da lição de casa e entregou uma ação violenta, com interessantes reviravoltas e atuações de tirar o fôlego. Agora, chega à fila dos bons representantes do gênero Guy Ritchie e toda sua conhecida ironia. O diretor que não lançava nada desde Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras (2011) estreia nesta quinta-feira nos cinemas brasileiros o divertidíssimo O Agente da U.N.C.L.E., releitura da série de TV de mesmo nome, lançada em 1964, e coassinada por Ian Fleming – o pai de James Bond.

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Os reforços da produção são frívolos e deleitosos. A começar pelo charme, beleza e figurino dos atores principais Henry Cavil (o Superman), Armie Hammer (de O Cavaleiro Solitário) e Alicia Vikander (a nova queridinha de Hollywood, estrela de Ex-Machina) – sem esquecer a elegante vilã Victoria Vinciguerra, interpretada pela figura impetuosa de Elizabeth Debicki (O Grande Gatsby). Parece um desfile de moda, mas não é.

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O cenário é a Europa dos anos 1960, traduzida em uma sensualidade que pouco se parece com as produções típicas sobre a Guerra Fria. Com um impecável terno azul-escuro, estilo que se repetirá ao longo das cenas, o agente americano Napoleon Solo (Cavil) entra no lado oriental do Muro de Berlim para extraditar Gaby Teller (Alicia Vikander), filha de um cientista alemão especialista em armas nucleares que desapareceu. Sua tarefa quase é impossibilitada por Illya Kuryakin (Hammer), um superagente da KGB, que persegue o americano e a garota em solo soviético. Após uma frenética cena com carros da época em alta-velocidade, os dois bonitões são obrigados a trabalhar lado a lado em uma missão que vai além das divergências ideológicas entre os polos que dividiam o planeta.

Sem perder tempo, a narrativa dinâmica logo avisa que Solo é um ladrão que presta serviços para a CIA a fim de cumprir suas dívidas com a sociedade americana. Kuryakin possui sérios problemas familiares e de controle de raiva. Enquanto a doce Gaby nem é tão doce assim. O trio vai à Itália para encontrar o cientista, que, ao que tudo indica, é mantido prisioneiro por um grupo de criminosos de raízes fascistas, em busca de uma arma de destruição em massa. Gaby e o agente russo fingem ser um casal para tentar contato com um tio da moça, que faz parte da trupe de terroristas, enquanto Solo dá seu melhor para seduzir a chefona do mal Victoria (Elizabeth).

A ação é rápida, com pouca enrolação, e excelentes momentos de humor. Como, por exemplo, quando os dois brutamontes protagonistas discutem em uma loja qual grife Gaby deveria usar de disfarce, entre opções como Dior e Paco Rabanne. Ou quando Solo escapa de uma perseguição e se esconde em um veículo onde encontra um lanche. Ele se esquece do mundo e saboreia e comida enquanto seu parceiro soviético, logo atrás, quase morre nas mãos dos bandidos. A diversão do espectador é completa com a trilha sonora, com direito a jazz, balada romântica italiana, rock e até uma divertida faixa assinada pelo tropicalista Tom Zé.

As surpresas, contudo, acabam por aí. O desenrolar da história não entrega muitas novidades ou profundidade, e os clichês de espionagem continuam a dominar a narrativa. Porém, o lugar comum de Guy Ritchie nunca foi lá dos mais confortáveis, vale lembrar seus trabalhos do passado, especialmente Snatch: Porcos e Diamantes (2000) e Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1998). Com um olhar desses, os clichês ganham um gosto bem mais saboroso.

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