Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Parábola sobre a ‘fracassada’ guerra contra as drogas em Cannes

Um filme violento e sentimental sobre a era da lei seca, “Lawless”, na disputa pela Palma de Ouro de Cannes, encontra paralelos com a fracassada guerra contra as drogas, destacaram o diretor John Hillcoat e o roteirista do longa-metragem, o músico Nick Cave.

O filme de gângster repleto de testosterona transcorre na Virginia, sul dos Estados Unidos, durante os anos 30, quando fabricantes e contrabandistas de bebidas alcoólicas enfrentavam funcionários corruptos e os criminosos de Chicago.

“Lawless” é baseado no livro “The Wettest County In The World”, de Matt Bondurant, que narra a vida de três irmãos, contrabandistas de álcool durante a lei seca.

Interpretados por Tom Hardy, Jason Clarke e Shia LaBeouf, os irmãos Bordurant são homens duros, repletos de lendas a seu respeito. Diante deles aparece um personagem sombrio, na pele de Guy Pearce, sensacional em sua maldade.

Duas mulheres entram na história para suavizar os irmãos: Jessica Chastain e Mia Wasikowska.

O australiano Hillcoat – diretor do violento “A Proposta” e realizador de “A Estrada” – disse que uma das inspirações para retratar a atmosfera dos anos da lei seca e da depressão nos Estados Unidos foi o filme “Bonnie and Clyde”.

Hillcoat e Cave, que assina o roteiro e a trilha sonora, destacaram em Cannes que o filme tem “claros paralelos com o momento atual”, marcado pela insegurança, instabilidade, crise política e econômica, e a guerra contra o narcotráfico.

“Em um momento, pensamos em abordar o tema dos cartéis mexicanos”, disse Hillcoat.

“Mas era muito complicada e este filme nunca saiu”.

Para Nick Cave, os paralelos com o momento atual e a guerra contra as drogas ficaram mais aparentes durante as filmagens.

“Sentia que estávamos falando do desastre que é o mundo atual. Pessoalmente sentia que estávamos falando da desastrosa guerra contra as drogas, este incrível desperdício de dinheiro”.

“É como se a lei seca ainda existisse”, disse Cave, que defendeu a “legalização de todas as drogas”.

“O problema da droga é muito importante e não está sendo enfrentado como se deve”, completou o escritor e músico.

O filme, uma das cinco produções americanas na mostra oficial do Festival de Cannes, que começou na quarta-feira com “Moonrise Kingdom”, do texano Wes Anderson, recebeu aplausos na sessão para a imprensa.

Apesar da boa recepção, muitos críticos questionaram se o filme era material para uma Palma de Ouros.

A resposta será conhecida no dia 27 de maio, quando o Júri Internacional, presidido pelo cineasta italiano Nanni Moretti, anunciar os vencedores da 65ª edição do festival.