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Os ‘Cassetas’ se reúnem para criar o novo programa

Humoristas se encontraram para o lançamento do livro 'Cinco contra um', de Beto Silva. Grupo planeja voltar à grade da Globo no segundo semestre'

Por Leo Pinheiro, do Rio de Janeiro - 1 abr 2011, 16h40

“O livro é a história de um peladeiro, Moa. Ele chega todo feliz em casa por ter marcado um golaço e a mulher dá a notícia: ela para Brasília, trabalhar no primeiro governo do presidente Lula. A partir do momento que ele fica sozinho no Rio a vida começa a degringolar”, explica Beto, sobre o novo livro

Um por todos, todos por um, os humoristas do ‘Casseta & Planeta’ se encontraram nesta terça-feira, em uma livraria em Ipanema, na zona Sul do Rio de Janeiro, na noite de autógrafos de ‘Cinco Contra Um’, terceiro livro de Beto Silva. Em público, os irreverentes integrantes do grupo não aparecem juntos desde o fim de 2010, quando o programa saiu da grade da Rede Globo. Mas, longe das câmeras, Hubert, Reynaldo, Hélio De La Peña e Beto – que estavam no lançamento -, e os colegas Marcelo Madureira e Cláudio Manoel têm se reunido para definir o novo formato do programa. A previsão é de que o novo ‘Casseta’ volte às noites da TV no segundo semestre.

“A gente já começou a se encontrar pra falar do programa. Estamos com saudades, mas ainda não foram muitos encontros. Mês que vem a gente vai ter uma reunião de verdade para fazer um programa realmente novo. Inicialmente a reunião será só nós. Vamos voltar no segundo semestre, mas não sei se será em agosto ou setembro. Sinceramente não sei”, contou Beto.

Mesmo despistando, Reynaldo deixou escapar que o programa poderá mudar de nome e de horário de exibição, abandonando definitivamente as noites de terça-feira. “Ainda estamos pensando em fórmulas, a coisa está bem no começo. Depois de definirmos isso, vamos gravar um piloto para ver se o programa funciona, mas só nós mesmos vamos assistir. Como a idéia é continuar fazendo noticiários, a gente não pode botar o piloto no ar com notícia velha”, disse Reynaldo.

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A ideia é continuar explorando a linha “humorismo verdade, jornalismo mentira” que contribuiu para o repertório recente de piadas no imaginário do brasileiro. Enquanto a nova fase do projeto não ganha corpo e ocupa mais e mais horas do grupo, os Cassetas se dedicam às suas habilidades e vocações individuais.

Reynaldo conta que em seu tempo livre das gravações na televisão tem se dedicado a sua banda musical, a Companhia Estadual de Jazz, e às charges. Recentemente, ele lançou uma coletânea de suas tirinhas, que são publicadas aos domingos no jornal ‘O Globo’. “Meu livro tem tudo a ver com este lançamento do Beto, o nome dele é ‘Noite de Autógrafos’. Então, estou aqui fingindo que vim prestigiar o amigo, mas na verdade vim fazer jabá do meu livro”, brincou.

Hubert também não perdeu a oportunidade de divulgar o seu mais novo trabalho, o filme sobre a vida do fictício jornalista Agamenon, pseudônimo usado por ele e Marcelo Madureira em uma coluna de humor, publicada aos domingos no ‘Globo’. “O filme já foi 90% gravado. Filmamos em HD, película 16 milímetros, super 8 e, até vídeo comum, para dar idéia de precariedade. Agora está em fase de acabamento. Acabou o orçamento, acabou o tempo, a paciência da gente…”, explicou, sem perder a piada.

O último do grupo a chegar no evento foi De La Peña, que também promete novidades para antes de voltar ao ar. “Vou trazer para o Rio um show meu de humor negro. É um show politicamente incorreto, que sacaneia essa coisa de cota. É feito só por humoristas negros contando piadas de negros”, disse Hélio, antes de dar um abraço em Beto e participar de uma disputa de piadas.

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O Livro – As tradicionais partidas de futebol das manhãs de sexta-feira, disputadas com os companheiros humoristas Hélio De La Peña, Cláudio Manoel e com o Bussunda, morto em 2006, inspiraram Beto a escrever ‘Cinco Contra Um’, na definição do autor “um thriller psicológico com adrenalina suficiente para provocar boas risadas, tanto pela graça quanto pelo nervosismo”.

“O livro é a história de um peladeiro, Moa. Ele chega todo feliz em casa por ter marcado um golaço e a mulher dá a notícia: ela vai para Brasília, trabalhar no primeiro governo do presidente Lula. A partir do momento que ele fica sozinho no Rio a vida começa a degringolar, até que ele é acusado de assassinato. Depois as coisas começam a melhorar, de uma maneira que eu não vou contar porque eu quero que comprem o livro”, explicou Beto.

Jornalista, escritor e leitor de Beto Silva, Guilherme Fiúza, que assina a contracapa da edição, entrega um pouco mais do personagem central da história. “Ele está em permanente dúvida sobre se é ou não é um bundão. Passa a tomar atitudes que só pioram a sua situação. Quando não faz nada, as coisas pioram também. Estamos diante de um perdedor nato. Mas isso não vai ficar assim, não”, garante, dando pistas de que Moa poderá ter um final feliz.

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