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Óleo de Pissarro é leiloado por 24 milhões de euros

Obra do impressionista bateu recorde no leilão que também vendeu um quadro de Van Gogh e Picasso

O quadro Boulevar Montmartre, Primavera do pintor Camille Pissarro, que mostra uma rua de Paris, foi vendido por 19,9 milhões de libras (24 milhões de euros, ou cerca de 78 milhões de reais), na última quarta-feira, pela casa de leilão Sotheby’s de Londres. O valor corresponde a quase cinco vezes mais do que o recorde anterior do mestre impressionista.

A obra de 1897 pertenceu ao industrial alemão de origem judia Max Silberberg, morto no campo de extermínio de Auschwitz após ser saqueado pelos nazistas. A tela foi devolvida à sua família em 2000.

No mesmo leilão, o quadro El Hombre en Alta Mar , de Vincent Van Gogh, foi vendido por 16,9 milhões de libras (20,3 milhões de euros, cerca de 66,2 milhões de reais), o preço mais alto para uma obra do pintor holandês nos últimos 25 anos.

Também foi vendido o quadro Composition (Composition au Minotaure), do espanhol Pablo Picasso, por 10,4 milhões de libras (17 milhões de euros, cerca de 40,7 milhões de reais).

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Miró – Nesta quarta-feira, o primeiro-ministro português Pedro Passos Coelho garantiu que o país mantém sua intenção de vender as 85 obras do espanhol Joan Miró. O leilão havia sido suspenso no último minuto na terça-feira, pela casa de leilão Christie’s, em Londres, por causa de uma disputa judicial entre o governo conservador de Portugal e a oposição socialista.

De acordo com o premiê, em conversa com os jornalistas em Lisboa, manter esses quadros em Portugal terá um custo para o Estado português, que não dispõe dos 30 ou 40 milhões de euros necessários para investir nessas obras. Um grupo de deputados do Partido Socialista recorreu à Justiça para que as telas não sejam vendidas, depois de esgotarem todas as possibilidades no Parlamento. O tribunal administrativo de Lisboa rejeitou a suspensão cautelar da venda, conforme solicitado pela Procuradoria, mas destacou “irregularidades” na saída dos quadros do país.

O primeiro-ministro disse que as irregularidades são de responsabilidade da casa de leilões. “A Christie’s tinha a responsabilidade de organizar tudo: o pedido de exportação das obras, os seguros, o transporte dos quadros e seu leilão”, afirmou Passos Coelho. “Com sua experiência, deveriam ter tomado mais precauções”, criticou o chefe de governo, explicando que os quadros de Miró terão de voltar para Portugal para que sua futura exportação possa respeitar os termos da lei.

A nova data do leilão ainda não foi estabelecida, disse o premier, acrescentando que poderá ser pela Christie’s, ou por outra casa de leilão.

A Christie’s estimou o valor das obras do artista de Barcelona (1893-1983) em 30 milhões de libras (36,4 milhões de euros, ou cerca de 118 milhões de reais).

A decisão do governo de vender as 85 obras para reforçar os cofres públicos causou polêmica nos círculos culturais. Milhares de assinaturas foram coletadas on-line para exigir que a coleção – propriedade do Estado desde a nacionalização do banco BPN em 2008 – fique em Portugal.

(Com agência France-Presse)