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OAB faz denúncia contra personagem Africano, do ‘Pânico’

Texto foi encaminhado à Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, do governo federal

As críticas ao personagem Africano, do Pânico, não ficaram restritas às redes sociais. A Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra, ligada ao Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), encaminhou uma denúncia à Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, órgão do governo federal, contra o personagem, a que chama de “afronta racial”.

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“É importante destacar que esse tipo de afronta racial atinge toda uma etnia. A exemplo disso, refiro-me aos black-faces atores americanos, e também brasileiros, que se pintavam de preto para interpretar personagens afro-descendentes altamente estereotipados, o que contribuía para perpetuar os efeitos e resquícios da escravidão negra”, diz trecho do texto que cita a prática de atores brancos se pintarem de preto para interpretar negros, em geral com carvão e de maneira exagerada.

A princípio, a denúncia serve apenas para mostrar à produção do programa e à Band, emissora que o transmite, que a sociedade está de olho, explica o advogado Humberto Adami Santos Junior, presidente da Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra. “Só vamos à Justiça se o Conselho Federal da OAB decidir assim”, diz Santos Júnior. “Mas a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial pode tomar medidas como fazer uma representação junto ao Ministério Público, que pode investigar a questão, ou acionar o Ministério das Comunicações, que pode fazer uma punição contra o programa e o canal, em forma de multa ou de ação de reparação de dano moral.”

Como reparação ou compensação, o advogado sugere que o Pânico crie um personagem oposto ao Africano, que não sabe falar, caça e colhe — “é quase um selvagem”, diz Santos Júnior. Um personagem, em suma, que valorize os africanos. Difícil imaginar o programa, conhecido por suas baixarias, adotando essa linha, mas o humorístico já tratou de se desculpar pelo ocorrido, afirmando, em comunicado, que não desejava “ofender” ninguém. O humorista Eduardo Sterblitch, que deu vida ao personagem controverso, também se pronunciou sobre a questão em seu perfil no Facebook. “Não sou Racista! E também estou chorando… A quem deixei triste ou pior, peço desculpas por minha IGNORÂNCIA ! Que, pelo menos, eu sirva de exemplo! Para que isso não aconteça mais”, escreveu.

O racismo de Africano

Ele “caça e colhe”, avisam os créditos que aparecem junto ao nome do participante do Pânico’s Chef, paródia do reality show culinário MasterChef, da própria Band. Africano também não sabe falar e é bem dotado naquele quesito que programas de gosto duvidoso como o Pânico adoram explorar. Interpretado pelo humorista Eduardo Sterblitch, o personagem despertou a fúria de muitos usuários das redes sociais, que o acusam de racismo.

Panicat tem cabelo raspado ao vivo

Depois de diversas polêmicas e acidentes na RedeTV!, o Pânico levou sua máquina de produzir baixarias para a Band. Já no terceiro programa na nova emissora, a panicat Babi Rossi teve seu cabelo raspado ao vivo. Apesar do choro e dos gritos com que pediu calma ao cabeleireiro que atacou sua cabeça com rapidez, no dia seguinte a assistente de palco tratou de defender o programa, dizendo que agiu por vontade própria — e “amor” à profissão. Era, claro, um alinhamento junto ao cada vez mais indefensável humorístico.

 

Sabrina Sato cai de avestruz

Um episódio do quadro Lingerie em Perigo terminou com a apresentadora Sabrina Sato no hospital. Vestida apenas com trajes íntimos, a ex-BBB participou de uma corrida de avestruzes ao lado das panicats, igualmente desnudas, em Araçatuba, cidade do interior de São Paulo. A alta velocidade dos animais derrubou todas as participantes, o que resultou em cenas apelativas no estilo vídeo-cassetada e, assim, mais alguns televisores sintonizados no programa. A queda de Sabrina, no entanto, rendeu algo mais: uma internação. Ela bateu a coluna no chão e se afastou do humorístico por algumas semanas para tratamento. Descontente com o quadro, o Ministério Público caiu em cima do Pânico, que teve sua classificação etária e horário de exibição alterados.

Vesgo: 18 Kg no quadro ‘Cinturinha do Zeca’

As gordurinhas perdidas por Zeca Camargo em um reality show do Fantástico não viraram apenas motivo de piada para o Pânico na TV. O humorista Rodrigo Scarpa, o Repórter Vesgo da atração, aceitou engordar em uma paródia do quadro global: em vez de perder, ele tinha de ganhar peso. O prêmio seria um Porsche. Bola, personagem de Marcos Chiesa, também entrou na disputa — ele, sim, deveria emagrecer. No final, Bola perdeu 13 quilos e Vesgo ganhou 18, além de uma réplica do carro – sim, era uma pegadinha –, a vergonha do próprio corpo e o risco de um enfarte.

 

Vesgo leva tapa de Victor Fasano

As abordagens da dupla Vesgo e Sílvio costumam irritar os famosos. Carolina Dieckmann já processou o programa e conquistou o direito de não ter nem mesmo seu nome mencionado no humorístico. Outros fizeram justiça com as próprias mãos, como o ator Victor Fasano, que não gostou do trocadilho feito pelo repórter — “Victor Faz Anos” — e desferiu um tapa em Vesgo.

Vesgo leva soco de Netinho de Paula

Um ano após o tapa de Victor Fasano, Vesgo voltou a ser esbofeteado. Dessa vez, pelo apresentador e político Netinho de Paula. A agressão aconteceu na entrega do prêmio Raça Negra em que foi inaugurado um canal UHF para o público negro. Depois de o repórter perguntar ao apresentador se ele abriria o canal para todo mundo, Netinho disse que ele deveria saber com quem brincar e lhe deu um soco no rosto, que sangrou e ficou inchado. O apresentador foi acusado de agressão por Vesgo.

Sílvio quebra braço na Argentina

Em busca de Maradona para lhe entregar as Sandálias da Humildade — que destacavam na verdade a arrogância do premiado — na Argentina, o humorista Ceará, que imita Sílvio Santos no Pânico, voltou apenas com pulso quebrado. Ele se vestiu de Pelé para enfrentar em campo os hermanos, que não devem ter gostado da afronta e não perdoaram com os carrinhos para roubar a bola. Numa dessas, Ceará caiu no chão em cima do próprio braço, quebrando o pulso. Já no carro a caminho do hospital, o parceiro Vesgo aproveitou para requentar a rivalidade, culpando os argentinos pelo acidente.

 

Produtor Bolinha fratura ombro

A panicat Dani Bolina resolveu se vingar do produtor Bolinha, quando cansou de ser alvo de suas brincadeiras. Depois de furar todos os pneus e lanternas do carro do produtor, a panicat resolveu jogá-lo, de dentro de uma van, em uma piscina de plástico. A pegadinha, porém, terminou no hospital. Bolinha machucou o ombro e precisou operá-lo. No programa em que foi apresentado o episódio, o apresentador Emílio Surita adotou um tom de pesar para contar o que havia acontecido. “Há mais de dois anos vocês fazem aqueles quadros com mais ação, mais emoção. Só que dessa vez passou dos limites”, disse. Só dessa vez?