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O walkman, aparelho que mudou a história da música, faz 40 anos

Uma exposição no Japão celebra a revolução detonada pelo produto que permitiu às pessoas carregar suas canções prediletas para qualquer lugar

Em Os Guardiões da Galáxia, o aventureiro Peter Quill (Chris Pratt) sempre começa suas aventuras com uma seleção musical especial, que escuta num artefato acoplado à cintura. Embora a série cinematográfica se passe no futuro, o aparelho em questão está mais para objeto da Idade da Pedra Lascada do que alguma invenção da alta tecnologia espacial. Trata-se de um walkman, cujos 40 anos de criação – a data é 1º de julho de 1979 – estão sendo celebrados numa exposição no Ginza Sony Park, em Tóquio. Batizada de ‘Walkman in the Park’ (Walkman no Parque, em português), a mostra é interativa: pode-se escutar música nos modelos do aparelhinho em exibição.

Para a geração criada à base de plataformas de streaming e YouTube, o walkman é um artefato com ares pré-históricos. Mas, para quem cresceu nos anos 80, ele representava uma forma revolucionária de se relacionar com a música. Basicamente, a invenção da japonesa Sony foi a primeira a tornar portátil o consumo musical. Antigamente, só se consumia discos e hits em casa, através dos aparelhos que tinham toca-discos, gravador e rádio, ou com boomboxes – uma espécie de caixa gigante com rádio e toca-fitas – e que se tornavam invasivos. Ou por meio do som dos carros, naturalmente. O walkman não somente tornou a música transportável, como também fez da audição uma experiência pessoal e exclusiva. Cada pessoa escutava a seleção musical de sua preferência, em seus fones de ouvido.

Uma das críticas mais comuns ao walkman era de que ele não gravava música, apenas a reproduzia nos seus aparelhos. Mas isso nunca impediu que ele se tornasse uma invenção popular. Afinal, não há nada mais prazeroso do que fazer uma seleção de suas músicas preferidas, gravá-las e até compartilhá-las (existia uma versão com dois fones para que um casal pudesse escutar músicas juntos). O walkman posteriormente foi substituído pelos discman, contendo CDs. Mas essa maravilha tecnológica tornou-se obsoleta, quase de imediato, com o advento do iPod – o aparelho da Apple acenava com a possibilidade irresistível de baixar músicas instantaneamente, em qualquer momento e lugar. Mas o walkman ainda é reverenciado por sua importância e até se tornou tema de livros – caso de Love is a Mixtape, do crítico de música Rob Sheffield, no qual ele se recorda dos tempos em que ouvia e fazia compilações para a namorada escutar no walkman.

Em tempo: aquele objeto do tempo do onça que Rob Quill carregava recentemente virou moda de novo por causa do sucesso de Guardiões da Galáxia. E os mais espertinhos chegam a pedir alguns milhares de dólares por versões vintage do artefato.