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O sucesso dos ‘feios’ de Novo Mundo

Leopoldo Pacheco, o pirata Fred Sem Alma, e Vivianne Pasmanter, a impagável Germana da novela das 6, contam como fazem para parecer tão horrendos e imundos

Reportagem desta edição de VEJA sobre o bom momento das novelas mostra como Novo Mundo, trama das 6 da Globo que caminha para sua reta final exibindo belos índices de audiência, ganhou o espectador pelo apuro visual. A caracterização de Leopoldo Pacheco como o pirata Fred sem Alma remete à franquia Piratas do Caribe – mas implica em um sofrimento danado para seu intérprete. “Tenho de raspar o coco toda vez que vou gravar. É como passar uma lixadeira na cabeça”, diz Pacheco. A personagem mais inacreditável, contudo, é a mameluca Germana. Para dar vida à “brasileira do século XIX”, Vivianne Pasmanter, de ascendência polonesa, teve de se enfear. Junto com Licurgo (Guilherme Piva), ela forma o núcleo dos “porcos”. “Jogamos tinta preta neles para ficarem imundos”, diz a figurinista Marie Salles. O futum de Germana exige imaginação dramática dos colegas de cena. “Toda vez que contraceno com alguém, eu peço: não esqueça do meu fedor”, diz Vivianne.

Embora tome liberdades históricas capciosas, como vender um dom Pedro amigo da causa indígena, é inegável que Novo Mundo acaba despertando interesse pela vida no Brasil do período retratado — sobre o qual uma pesquisa da Globo mostrou que boa parte do público não sabe muita coisa. “Não é à toa que Germana e Licurgo fazem sucesso: por meio deles, o público descobre de onde vem o famoso jeitinho brasileiro”, diz Monica Albuquerque.

Vivianne conta que “se jogou” com tudo no papel. “O Vinicius (Coimbra, diretor da novela) falou: quero que você vá para lugar que você nunca foi, que ninguém a reconheça. E levei isso muito ao pé da letra”, diz ela. Para encarnar a personagem, Vivianne usa uma prótese que lhe confere um queixo de prognata, usa produtos para deixar a pele escurecida e toda manchada – além de exibir aquela cicatriz de uma cruz que teria sido marcada a fogo nas costas de Germana. Nos primeiros dias de gravação, quando seu visual ainda era segredo, Vivianne chegou a causar pânico em uma conhecida diretora com que cruzou nos corredores da Globo. “Eu conversei com ela toda enfeada, já incorporando o jeito de ser da Germana. E ela foi ficando assustada, pensou que era alguma figurante maluca perdida no estúdio”, diverte-se a atriz. Nada, aliás, dá mais alegria a Vivianne do que as hilárias investidas sexuais de Germana sobre o pobre Hugo (César Cardadeiro) – que já desmaiou ao sentir o bafo de onça da rude personagem. “A Germana é muito básica. A sexualidade dela é animalesca. Teve cena em que ela parecia um cachorro em cima do Hugo”, diz a atriz.

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