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‘O Caçador e a Rainha do Gelo’: a fria da semana

Filme tenta conquistar pela beleza de cenários, figurinos e efeitos, mas entedia com trama fraca

Mudar o diretor e a atriz protagonista não resultou em uma melhora na qualidade da franquia de contos de fadas estrelada por Chris Hemsworth, iniciada em 2012 com Branca de Neve e o Caçador, seguido por O Caçador e a Rainha do Gelo, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira. Kristen Stewart, estrela da primeira trama, foi substituída por Jessica Chastain, uma caçadora, que recebeu o mesmo treinamento do personagem de Hemsworth. Já Charlize Theron, a rainha má Ravenna, divide a vilania com sua irmã Freya, vivida por Emily Blunt. Assim como na trama original, o filme é repleto de superlativos visuais, mas falha ao apostar em uma história ingênua, inverossímil, que chega a entediar. O que era estranho, ficou pior.

As motivações do filme giram em torno da guerra emotiva e piegas entre amor e poder. Ravenna, além de obcecada por beleza, é também viciada em controle. Logo no início, a produção mostra a busca da rainha pelo trono, muito antes de Branca de Neve. Já sua irmã, ingênua e pouco afeita a assuntos políticos, acredita no amor e o deseja ardentemente. Ela se apaixona por um homem casado, engravida e vê sua vida envolta em uma misteriosa tragédia.

Desiludida em nível profissional, Freya desenvolve poderes congelantes, deixa a irmã para trás e parte para conquistar outros reinos. Ela ganha o apelido de Rainha do Gelo, ataca aldeias, mata os adultos e leva crianças para seu castelo, onde os treina para serem guerreiros. Sua única regra é a frieza. O amor está banido de suas terras.

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Sara (Jessica) e Eric (Hemsworth), que cresceram juntos no castelo, após serem tirados da família, não conseguem conter a paixão e decidem fugir juntos. Freya, que observa todo o reino, ataca os pombinhos antes da fuga e separa o casal.

O filme então dá um salto no tempo, para o período após o longa de 2012. Com Ravena derrotada, Branca de Neve fica doente por causa do espelho da rainha má, que ainda contém algum tipo de magia obscura. A caminho de um santuário, o objeto é roubado e Eric é encarregado da missão de encontrá-lo e levá-lo a um lugar seguro, longe da Rainha do Gelo.

Ele conta com a ajuda inesperada de dois anões antes do reencontro nada agradável com Sara, que está viva, mas não parece a mulher por quem ele se apaixonou no passado.

Não é exagero dizer que Branca de Neve e o Caçador rendeu mais fora das telas do que nas salas de cinema. O bastidor da produção foi berço do controverso caso entre o diretor Rupert Sanders, na época casado, e a atriz Kristen Stewart, então estrela teen hollywoodiana que namorava o também astro Robert Pattinson. O affair atrapalhou a bilheteria do filme, que já não tinha conquistado a crítica, e também interferiu em sua sequência.

Com Sanders e Kristen demitidos, o segundo filme teve que lidar com mudanças bruscas, que não resolveram o andamento da história. O cineasta foi substituído por Frank Darabont (The Walking Dead), que abandonou a produção no meio e deixou o longa nas mãos do inexperiente Cedric Nicolas-Troyan, que trabalhou como diretor assistente no primeiro filme e mostrou não ter músculos suficientes para uma produção deste tamanho.

Jessica, Emily e Charlize são ótimas atrizes, mas não fazem milagre. As personagens se diluem em uma mistura de feminilidade e força, mas não convencem, ao contrário do primeiro longa, que trazia uma poderosa vilã e uma forte princesa guerreira. Culpa do roteiro, que tenta resgatar os sentimentos simples dos contos de fadas, mas cai em um entediante melodrama, que provoca pouca empatia.

Sobra apenas a beleza estética do filme, que ostenta cenários e figurinos deslumbrantes, interessantes efeitos especiais, e a presença de atores com traços que parecem feitos à mão. Mas beleza não sustenta uma boa história. Lição já aprendida até pelo famoso espelho, espelho meu.