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‘O Astro’ 2011 terá cenas mais ‘ousadas’

Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro falam da adaptação do clássico de Janete Clair e dizem que, no ar como minissérie, na faixa das 23h, ela terá um 'derramar de amor desesperado'

Enquanto O Astro de 1977 foi um marco pelo misticismo do vidente charlatão Herculano Quintanilha (Francisco Cuoco, agora Rodrigo Lombardi), o de 2011 será um “derramar de amor desesperado”. É o que antecipam os autores Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro, responsáveis pela adaptação para os dias atuais da obra de Janete Clair. O remake, que estreia em 12 de julho no formato minissérie, com 60 capítulos, irá ao ar na faixa das 23h, para um público acima de 16 anos, o que, segundo os autores, permitirá cenas mais ousadas.

Em entrevista por e-mail ao site de VEJA, os autores revelam o que todo mundo queria saber. Salomão Hayala vai morrer de novo. Só não se sabe ainda pelas mãos de quem. Ao telefone com Alcides Nogueira, o dramaturgo Geraldo Carneiro digitou as respostas que seguem abaixo.

O Astro transformou em bordão a pergunta “quem matou”, com o assassinato de Salomão Hayala. O que fez desse um bordão vitorioso, copiado por outras novelas? Não se trata de cópia, mas de abordagem. O folhetim possui recursos próprios, que servem perfeitamente à teledramaturgia. Todas as novelas, de uma maneira ou de outra, acabam usando esses pilares folhetinescos – que não são inverossímeis. Muitas vezes, a vida real é mais estranha do que o mostrado na telinha.

Por falar em Salomão, ele terá o mesmo destino que a versão original? Haverá um novo assassino? Sim, Salomão será morto. E a dúvida ficará no ar – a pergunta “Quem matou Salomão Hayala?”. Não poderíamos ignorar esse acerto de Janete Clair. Salomão terá o mesmo desfecho, mas quanto ao assassino, isso é segredo de estado (como disse Daniel Filho ao general Ernesto Geisel).

Geraldo Carneiro, com Maria Adelaide Amaral (vertical) Geraldo Carneiro, com Maria Adelaide Amaral (vertical)

Geraldo Carneiro, com Maria Adelaide Amaral (vertical) (/)

O que podemos aprender com os clássicos? Ler os clássicos e os contemporâneos é essencial, sempre. Com Balzac, por exemplo, aprendemos como uma história com tramas bem urdidas, personagens bem estofados, resiste ao tempo. Ler é a grande escola.

O Astro será em formato de minissérie, com 60 capítulos. A que se deve essa estratégia de enxugar a novela? Não é uma estratégia. É um formato que já foi usado em minisséries como A Muralha, Um Só Coração e JK, por exemplo. É uma homenagem aos 60 anos da teledramaturgia no Brasil. Foi uma escolha. Será a primeira vez que esse formato entra no ar no meio do ano.

O Brasil mudou muito desde a exibição de O Astro em 1977. Quais as adaptações que os senhores preveem no roteiro? São muitas. É uma releitura. O Astro de Janete Clair era contemporâneo à sua época (anos 1970), nós decidimos trazer para os dias de hoje, e assim, O Astro de Alcides e Geraldo é contemporâneo à época de hoje, os anos 2010. Com isso, o perfil dos personagens mudou, modernizou. Mantivemos os ícones, mas os caminhos serão diferentes.

O horário de exibição pode influenciar no roteiro? Há uma liberdade maior de criação? Sim, claro. A classificação é de 16 anos, e assim poderemos escrever cenas mais ousadas.

Os senhores assistiram novamente à novela para reescrevê-la? Não, não assistimos. Temos como base o texto de Janete Clair. Mas preferimos não nos debruçar sobre ele e sim compreender a alma dessa novela e revisitá-la com o nosso olhar. Por exemplo, decidimos usar o amor rasgado como referência atemporal. Podem esperar para essa versão um derramar de amor desesperado.