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Novo livro de Joyce Carol Oates explora fama e obsessão

Por AE

São Paulo – A escritora americana Joyce Carol Oates se assemelha a um desenho animado em carne e osso: as sobrancelhas parecem pairar no ar quando usa óculos e os olhos não escondem uma pesada carga interrogativa. A fragilidade, no entanto, desaparece quando começa a escrever – eterna candidata a ganhar o Nobel de Literatura, Joyce vem se especializando em resgatar histórias tortuosas, recontadas a partir de uma ficção precisa e exuberante.

É o caso de “Minha Irmã, Meu Amor”, lançado agora pela Alfaguara. O fato real é escabroso: o assassinato de uma menina de 6 anos que se tornou um fenômeno na patinação no gelo, acontecido em 1996 e até hoje sem solução – ela foi encontrada no porão da casa, com os braços amarrados nas costas e o crânio esmigalhado. Sua morte desestabilizou a família, que vivia em função do sucesso da filha caçula. Este é o ponto de partida para Joyce construir um ambicioso romance sobre fama, obsessão e morte. E, apesar da tragédia ditar o tom, a escritora que completou 73 anos em junho chega a abusar da comédia, o que chega a provocar sobressaltos no leitor.

“Minha intenção era dramatizar a agudeza e o pathos particulares de uma vítima de um tabloide”, comenta Joyce, em entrevista por e-mail. Ela se refere à imprensa sensacionalista que, no mundo inteiro, fatura generosas quantias ao oferecer sangue coagulado em manchetes gritantes. Seu alvo é claro: o custo pago pela pessoa que se transforma em celebridade, ainda que a contragosto, e o frenesi que isso provoca na moderna cultura da fama.

Assunto semelhante foi tratado por ela em “Blonde”, portentoso livro que a editora Globo lançou em dois volumes. Trata-se de um romance, chamado de ‘épico’ por ela, em que apresenta um exercício de livre imaginação para retratar a trajetória de Marilyn Monroe, a mais famosa das loiras do cinema. A intenção, novamente, era apresentar pessoas cujo sonho de sucesso nunca se realiza devidamente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.