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Bob Dylan surpreende e conquista Nobel de Literatura 2016

Entre os favoritos, constavam o japonês Haruki Murakami e o queniano Ngũgĩ wa Thiong'o

Por Da redação - Atualizado em 13 out 2016, 14h30 - Publicado em 13 out 2016, 08h02

O cantor e compositor americano Bob Dylan foi anunciado nesta quinta-feira como o vencedor do Nobel de Literatura 2016. A Academia Sueca destacou a contribuição de Dylan, 75, um músico que mesclou influências do folk à intensidade da poesia beatnik no início da carreira, para a tradição do cancioneiro americano, na qual “criou novas expressões poéticas”. Embora o nome de Dylan não seja de todo novo, porque já havia aparecido em casas de aposta em anos anteriores e havia sido citado por especialistas, o anúncio surpreendeu. Ele é apenas o segundo músico na história a vencer o prêmio — e o primeiro em 103 anos. Neste ano, nas casas de apostas londrinas, e também entre especialistas, os nomes fortes eram os de sempre, como o japonês Haruki Murakami e o americano Philip Roth, além do queniano Ngũgĩ wa Thiong’o. Com o prêmio, Dylan é o único a ter no currículo Grammy, Pulitzer, Globo de Ouro, Oscar e Nobel. Ele também está no Hall da Fama do Rock ‘n Roll.

“Ele é o grande poeta, um grande poeta dentro da tradição da língua inglesa. Um autor original que carrega com ele a tradição e está há mais de cinquenta anos inovando e se renovando”, disse a secretária permanente da Academia Sueca, Sara Danius, após o anúncio solene. Ela ainda comparou Dylan a gigantes da Antiguidade e citou um disco do músico de 1966, Blonde on Blonde, de faixas como Visions of Johanna, Just Like a Woman, Rainy Day Woman e I Want You“Se olharmos milhares de anos para trás, descobriremos Homero e Safo. Escreveram textos poéticos feitos para serem escutados e interpretados com instrumentos. O mesmo acontece com Bob Dylan. Pode e deve ser lido.”

De família judia, Bob Dylan nasceu em Duluth, Minnesota, em 1941, e foi criado na cidade de Hibbing, entre judeus de classe média. Sempre teve interesse por música e, na adolescência, fez parte de diversas bandas. Com o tempo, seu pendor pelo folk — especialmente por Woody Guthrie — e pela geração beat cresceu e moldou suas composições. Aos 20 anos, em um passo importante para dar início à carreira profissional, ele se mudou para Nova York e começou a se apresentar nos bares do efervescente Greenwich Village, bairro então tomado por hippies, cabeludos e outros representantes da contracultura. Foi logo descoberto pelo produtor John Hammond, com quem assinou contrato para o primeiro álbum, Bob Dylan, lançado em 1962.

Os anos seguintes seriam, como costuma ser para todo compositor e escritor, os mais vigorosos, criativamente, da sua carreira. Em 1965, ele lançou os discos Bringing It All Back Home e Highway 61 Revisited, em 1966 o já citado Blonde on Blonde, e, em 1975, Blood on the Tracks. A Academia Sueca também destaca, da sua obra, os discos Oh Mercy (1989), Time Out of Mind (1997) e Modern Times (2006). Em 2004, já com nove prêmios Grammy (hoje são doze), lançou uma autobiografia, Crônicas, publicada no Brasil pela Planeta

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O vídeo abaixo mostra um momento criativo de Bob Dylan no início da carreira, quando tinha como parceira, no palco e na vida pessoal, a cantora Joan Baez:

 

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