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No palco, Rafinha Bastos faz piada com processo

Em apresentação de stand-up comedy em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, humorista suspenso do ‘CQC’ ri da possibilidade de ser autuado por brincadeira de mau gosto com a cantora Wanessa Camargo e culpa plateia por seus excessos: “Vocês é que riem”

A suspensão recebida pelo CQC não foi citada, mas o entrevero com a cantora Wanessa Camargo, que a motivou, não deixou o palco do Teatro Paulo Machado de Carvalho, em São Caetano do Sul, onde o humorista Rafinha Bastos apresentou na noite deste domingo a comédia stand-up Péssima Influência. Bastos fez graça com a possibilidade de ser processado por ter dito que “comeria” Wanessa e seu bebê – a piada de mau gosto surgiu após Marcelo Tas elogiar no CQC a beleza da cantora, que está grávida – e responsabilizou a plateia de cerca de mil pessoas pelos seus excessos. “Está vendo como vocês riem? Depois eu me (…) por isso.”

Bastos também deu uma de sonso ao comentar a polêmica que protagoniza. O humorista linkou o assunto Wanessa Camargo a uma das piadas mais pesadas do show – ele diz ter transado com a irmã -, que justificou de modo tortuoso. “Vocês esperavam o quê, piada de português? Eu como bebê, gente, sou canibal”, disse com cinismo, para então mencionar a possibilidade de ir ao tribunal. “Ah, mais um processo.”

Rafinha Bastos pode ser tanto alvo de uma ação do Ministério Público de São Paulo – o senador Magno Malta (PR-ES) anunciou a possibilidade em plenário na última quinta, mas na sexta-feira o MP paulista ainda não tinha uma posição a respeito – como de Wanessa e seu marido, o empresário Marcus Buaiz.

Cartaz do espetáculo 'Péssima Influência', de Rafinha Bastos Cartaz do espetáculo ‘Péssima Influência’, de Rafinha Bastos

Cartaz do espetáculo ‘Péssima Influência’, de Rafinha Bastos (/)

O próprio humorista não confirma a abertura de um processo. Ele não quis conversar com a reportagem de VEJA para uma entrevista ao fim do espetáculo, mas respondeu a algumas perguntas por meio de sua assessoria de imprensa. Primeiro, sobre um processo ligado à piada que lhe rendeu suspensão por tempo indeterminado do CQC, disse não ter recebido nenhuma notificação. Sobre um retorno ao programa, na tela da Band, afirmou não ter “nada para dizer”. Por fim, respondendo a questão sobre uma das piadas do espetáculo, avisou, debochado: “Não acredite em nada do que eu falo. Talvez nem minhas respostas anteriores sejam verdadeiras”.

Ataque a famosos – À primeira menção da controvérsia com a cantora Wanessa Camargo no palco, Rafinha Bastos emendou uma brincadeira sobre a aparência da população de Rondônia. “Em um espetáculo anterior, disse que as pessoas de Rondônia eram feias e recebi 27 processos. Ganhei todos, porque vieram com foto.”

Pouco depois, voltou a citar Wanessa como link para piadas com a própria mulher e o filho – Rafinha Bastos é casado e pai de um bebê. Em uma série de brincadeiras pouco leves para serem reproduzidas aqui, mais ou menos repetiu com a própria família o que fez com a cantora. Foi aí que, diante da reação de uma plateia que pagou 60 reais para vê-lo, tentou dividir a responsabilidade. “Está vendo como vocês riem? Não sou eu, não estou rindo.” E inteligentemente advogar em causa própria. “Tem que fazer as piadas. Preconceituoso é não fazer.”

Apesar da presença quase espectral no espetáculo, Wanessa Camargo não foi o único famoso citado por Rafinha, que achincalhou o cantor Luan Santana e globais como Luciano Huck. Logo no início da apresentação, ao falar de uma operadora de telefonia móvel que teria um serviço usado apenas “por prostitutas e traficantes”, o humorista foi muito aplaudido – só não mais do que quando ironizou a possibilidade de ser processado pela piada grotesca com a cantora. “É celular usado por traficante, e o pior é que eles sabem disso”, falou, se referindo à operadora. “Não é à toa que têm o Fábio Assunção como garoto-propaganda.”